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Além do extermínio do Dragão

02 Nov

Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper & Row, 1989
Excertos adaptados

Anterior: Uma Cultura Guerreira

Além do extermínio do Dragão

Quando os Guerreiros se dão conta de que a sua verdade é apenas uma de entre outras, começam a encarar os outros como aliados potenciais e não como inimigos. A tarefa do herói passa a ser construir pontes, e não matar ou converter.

Os velhos tipos de conflitos eram violentos e primitivos. Gradualmente, foram sendo substituídos por outros mais suaves e harmoniosos. De uma situação em que duas pessoas se massacram passamos para uma outra em que duas pessoas debatem e depois se perguntam quem venceu. Finalmente, chegamos a uma situação na qual duas pessoas são suficientemente confiantes para utilizar as suas diferenças como forma de encontrar verdades mais adequadas e completas. Debatem ideias e depois compartilham aquilo que aprenderam.

A recompensa de enfrentar os dragões mais aterrorizadores é a coragem e a libertação dos nossos próprios medos. O Guerreiro acaba por aprender a fazer amigos porque, em vez de se deixar aprisionar pelo medo, começa a perceber que o medo funciona sempre como um convite ao crescimento. Quando perdem um pouco do seu medo, os Guerreiros serenam e podem abrir- se para a complexidade. Torna-se então claro, para eles, que uma formulação da realidade em termos de herói/vilão/vítima é muito limitada.

A sensação de impotência do Guerreiro pode conduzi-lo a uma transformação profunda.

Esse momento de abandono pode ser causado por um ataque cardíaco, pela perda de um ente querido, por um acontecimento trágico, contra os quais o Guerreiro nada pode fazer senão aceitá-los. Às vezes, é apenas a maturidade e o saber que nenhuma das suas capacidades é eficaz contra a morte que força o Guerreiro a “ceder” à vida maior.

Os Guerreiros consomem-se porque vivem a vida como uma luta contra os outros e contra partes de si mesmos que consideram indignas. Já vi muitos homens e mulheres perceberem que a luta que travavam para se elevarem os estava a matar – a matar as suas almas e os seus corações, e às vezes também os seus corpos. Os Guerreiros, que antes sentiam um imenso orgulho na sua capacidade de cuidar das suas próprias vidas e tornar os seus sonhos realidade, começam a sentir se exaustos e esgotados, anos mais tarde. Para muitos deles, a transformação dá-se quando se dão conta das estratégias que utilizam na sua fuga para a frente: cafeína, anfetaminas, álcool.

Pode acontecer que o medo do fracasso tenha substituído um desejo saudável de auto- realização, conduzindo-o a comportamentos obsessivos e viciosos. Os Guerreiros precisam, então, de admitir a sua vulnerabilidade, a sua necessidade de amor, de outras pessoas, de amparo espiritual e físico. Como os Guerreiros têm mais controlo sobre as suas vidas do que a maioria das pessoas, habituam-se à ideia de que são superiores aos demais. Quando esse controlo falha, aprendem a reconhecer que não são fundamentalmente diferentes das outras pessoas. Aprendem que somos todos interdependentes, que precisamos das outras pessoas, da Terra, de Deus.

Segue: O Amante Guerreiro

 

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