A luta pelo sentido

livro Alice Aeppol 6m

Bruno Bettelheim
Psicanálise dos Contos de Fadas
Lisboa, Bertrand Editora, 1991
(excertos adaptados)

 Hoje, como em tempos idos, a mais importante e a mais difícil tarefa na educação de um filho é ajudá-lo a encontrar um sentido para a vida. Para se conseguir isso são precisas muitas experiências de crescimento. Enquanto se desenvolve, a criança tem de aprender, passo a passo, a compreender-se a si própria; com isso ficará apta a compreender os outros e, eventualmente, a relacionar-se com eles por vias mutuamente satisfatórias e significativas. Continuar a ler

O lado sombra do quotidiano

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Jeremiah Abrams (org)
O reencontro da Criança Interior
Paulo, Cultrix, 1999
(Excertos adaptados) 

Em 1886, mais de uma década antes de Freud sondar as profundezas da escuridão humana, Robert Louis Stevenson teve um sonho altamente revelador: um homem, perseguido por um crime, engolia um certo pó e passava por uma mudança drástica de caráter, tão drástica que se tornava irreconhecível. O amável e laborioso cientista Dr. Jekyll transformava-se no violento e implacável Mr. Hyde, cuja maldade ia assumindo proporções cada vez maiores à medida que o sonho se desenrolava. Continuar a ler

A angústia dos tempos e o caminho da paz

Etienne Perrot
Péril nucléaire et transformation de l’homme.
Conférences sur la vie intérieure
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991

(excertos adaptados)

A angústia dos tempos e o caminho da paz  I

Vivemos num mundo consciente, onde nos colocou a nossa educação, a nossa cultura. Fomos educados num quadro moral, seja ele religioso ou laico. Recebemos uma instrução centrada na aquisição de noções racionais, remetendo para o plano secundário toda a zona da imaginação e da emotividade. Esta é relegada para aquilo a que se dá o nome de inconsciente. O inconsciente não é apenas aquele receptáculo, aquela lata do lixo das pulsões sexuais a que Freud o quis reduzir; Continuar a ler

A angústia dos tempos e o caminho da paz

Etienne Perrot
Péril nucléaire et transformation de l’homme.
Conférences sur la vie intérieure
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991

(excertos adaptados)

Não é por nada que os antigos alquimistas diziam que a Grande Obra consistia em transformar a obscuridade em luz, em obter, em primeiro lugar, o caos, o caos dos sábios, que nós interpretamos de uma forma muito simples. Devo deixar o limite, o meu pequeno universo bem balizado: “Basta fazer isto, basta fazer aquilo, uns são maus e outros são bons.” É preciso aceitar entrar numa incerteza, enfrentar aquele jogo de imagens e de emoções desconcertantes que são oferecidas pelo inconsciente e pelos sonhos. É isto a realização do caos dos sábios. Os alquimistas chamavam-lhe também nigredo, negrura, onde se encontra a mesma ideia de obscuridade. Diziam que a luz nele nascia gradualmente, a partir das trevas. Continuar a ler

A angústia dos tempos e o caminho da paz

Etienne Perrot
Péril nucléaire et transformation de l’homme.
Conférences sur la vie intérieure
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991

(excertos adaptados)

Parece assim que a visão caótica dos fenómenos que nos é oferecida pela ciência moderna (ou era oferecida, porque a ciência evoluiu muito), se harmoniza no indivíduo. Tendo realizado em si mesmo uma unidade e uma harmonia, o indivíduo vê a sua visão mudar e projecta um olhar transformado sobre o universo. Existe, neste sentido, uma corrente científica muito forte, nascida nos Estados Unidos, cujos ecos potentes vêm actualmente até nós, numa relação muito estreita com as descobertas de Jung. Estes autores falam muito, talvez demasiado, porque as palavras podem dispensar de realizar as coisas; trata-se de evocar a unidade do mundo, do unus mundus, que é o termo que Jung pediu “emprestado” aos alquimistas, para traduzir essa visão unificada do mundo. Continuar a ler