A cor preta

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A cor preta está associada às trevas primordiais, à indiferenciação original.

Instalado debaixo do mundo, símbolo dos infernos, ou regiões inferiores, o preto exprime um estado de morte, de passividade absoluta.

O preto é cor de luto, não como o branco, mas de uma forma mais opressiva. O luto branco tem algo de messiânico, indica uma ausência destinada a ser complementada. É o luto dos Reis e dos Deuses que vão obrigatoriamente renascer. O luto negro é um luto sem esperança, uma perda definitiva, a queda sem regresso no Nada.

Mas o mundo ctoniano, do interior da terra, que fica por baixo da realidade aparente,  é também o ventre da terra onde se opera a regeneração do mundo diurno. O preto é igualmente o símbolo da fecundidade, a cor da terra fértil, ou das nuvens repletas de chuva. Esse mundo inferior contém o capital de vida latente, é o grande reservatório de todas as coisas. As grandes deusas da fertilidade são muitas vezes negras, por causa da sua origem ctoniana.

Na Alquimia, a obra a negro representa o estádio do indiferenciado, da morte interior, em que os traços negativos da personalidade terrena são trabalhados para se poder desembocar na obra a branco, que é o estádio da purificação, que levará, finalmente, à obra ao rubro da libertação espiritual.

Do ponto de vista da análise psicológica, nos sonhos diurnos ou noturnos, o preto evoca a angústia, a inconsciência, a ignorância, o caos, o nosso universo instintivo primitivo que é necessário consciencializar e cujas forças devemos canalizar para objetivos mais elevados. Mas o negro é também a terra fértil, que recebe a semente que, se morrer, dará muito fruto.

O preto opõe-se à luz, isto é, à consciência lúcida. Representa as trevas, a inconsciência, a confusão, a desordem. É também a obscuridade das origens, e, em todas as religiões, precede a criação.

Se o preto se liga à ideia de Mal, isto é, a tudo o que contraria ou atrasa o plano da evolução querida pelo Divino, é que o preto evoca aquilo que os hindus chamam a ignorância, a Sombra de Jung, a diabólica Serpente-Dragão das mitologias, que é preciso vencer em nós próprios para garantirmos a nossa metamorfose.

Como imagem da morte, da terra, da sepultura, da travessia noturna dos místicos, o preto está também ligado à promessa de uma vida renovada, tal como a noite contém a promessa da aurora, e o inverno a da primavera.

Jean Chevalier; Alain Gheerbrant
Dicionário dos Símbolos
Lisboa, Ed. Teorema, 1994

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