As fadas

voar christian fred

Quem nunca quis na sua vida transformar-se em alguém especial, alguém com uma luz diferente e singular? Quem não terá desejado poder criar magia na sua vida, espalhando alegria, bom humor, criatividade, esperança, e todas as capacidades próprias daqueles seres míticos e diáfanos a que chamamos fadas?

Mesmo de forma inconsciente, sonhamos com o regresso ao nosso interior profundo, à casa da Alma, onde residem a Beleza, a Esperança, a Alegria e o Amor, feitos de uma autenticidade que já não somos capazes de encontrar no mundo em que vivemos.

Os contos de fadas são formas de preservar essa realidade, que nos fala de uma infância remota que a nossa racionalidade relegou para um lugar bem escondido no interior de nós próprios. Ao longo dos tempos, as fadas e os contos que sobre elas versavam têm sido considerados apenas “coisas de crianças” e não mais do que meras fantasias. De facto, só as crianças podem “ver” essas realidades ocultas, porque são inocentes e ainda não contaminadas pelo ceticismo, desencanto, frieza e calculismo das pessoas adultas.

Sem afetos, sem ternura, sem magia, a vida torna-se fria, inerte, sendo presa fácil da revolta, da frustração, do stress da vida quotidiana, e gerando pessoas reféns de uma solidão que procuram conjurar, através da busca de prazeres vazios e da acumulação de bens materiais. Esta imersão no consumismo não tem senão um resultado: afastarmo-nos cada vez mais do sonho, do encantamento, da delicadeza e da ternura.

Será que já ninguém acredita nas fadas?

Se acreditássemos, poderíamos vê-las, ou senti-las?

Mistérios das fadas…

Será que só podem existir na imaginação de um escritor ou nos mundos povoados de fantasia de uma criança?

Talvez tenhamos perdido o contacto com elas e com o que representam, porque perdemos a infância do coração. Ignorar a candura, ter deixado esquecida pelo caminho a ternura das coisas simples, tem o seu custo. E não há custo mais amargo do que a perda da criatividade.

Sem capacidade de sonhar não há criatividade, e por isso tantas pessoas se sentem mal e choram lágrimas silenciosas, porque a sua criança-fada partiu para bem longe, afastada por uma sociedade que apenas valoriza o que é exterior e palpável, e se ri daqueles que sabem ver o que é invisível aos olhos terrenos.

No entanto, não é nenhum erro ser-se criança. O que é com certeza um erro é menosprezar os contos de fadas considerando-os apenas “historinhas de crianças”, e afirmar que se trata de coisas sem sentido, próprias da fantasia e da ignorância mais primária.  Claro: para a opinião comum, as crianças são seres ainda de entendimento escasso, não suficientemente desenvolvidas do ponto de vista cognitivo, e por isso muito aquém da inteligência dos adultos (esses seres sisudos, a quem cresceu o corpo, embranqueceu o cabelo e entristeceu a alma)…

E as fadas?

As fadas são a sabedoria que mora em locais recônditos do ser, pura energia que nos abraça o coração a fim de nos devolver a esperança de uma vida mais cheia de sentido, mais criativa e mais aberta ao sopro da liberdade.

As fadas recordam-nos o que de mais genuíno habita em nós.

Fadas, anjos, deusas, princesas, rainhas do Olimpo, formas de uma mesma energia, que procuram recordar-nos que o nosso quinhão não se resume a uma vida mortal cheia de ruído, e de letras e hipotecas por pagar.

 Elas, as privilegiadas do destino, têm por missão devolver-nos a memória, incutir-nos esperança e restaurar-nos a dignidade que como espécie perdemos.

No entanto, só poderão reconhecê-las aqueles que veem a vida com os olhos do coração.

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