O reconhecimento dos símbolos

Georges Romey
Excertos adaptados

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O reconhecimento dos símbolos

A pessoa que se predispõe a interpretar os sonhos é fatalmente conduzida a formular duas interrogações:

• A importância do papel de uma imagem é proporcional à frequência do seu aparecimento?

• No enunciado produzido pelo sonhador no decorrer de um sonho de 40 minutos (cerca de 700 palavras) quais devem reter a atenção do tradutor? Será que este pode simplificar a sua abordagem organizando-as por categorias?

Do ponto de vista quantitativo, é necessário distinguir três grupos de símbolos:

• o grupo de imagens cuja presença se detecta em mais de 10% dos sonhos tais como: preto, branco, mão, sol, areia, etc.;

• o grupo de representações que observamos uma ou duas vezes em cada uma, ou seja, entre 4 e 10% das sessões, como sejam o velho sábio, a estrela, o objecto submerso, etc.;

•  o grupo de figuras raras que não chega a atingir o 1% tais como o icebergue, o cavalo-marinho, o menir, etc..

A elevada frequência de um símbolo não nos autoriza a considerá-lo banal nem a reconhecer nele uma importância particular. No seio do primeiro grupo temos arquétipos: a areia, a lua, o vermelho, o amarelo, etc., cuja participação na dinâmica de evolução é particularmente forte apesar da sua repetição.

As imagens do segundo grupo são frequentemente agentes especiais, arquétipos poderosos que intervêm no decurso de fases determinantes da transformação psíquica. Por fim, vêm as imagens raras, mas que se repetem no seio de uma mesma cura; ligam-se a temas específicos da problemática do sonhador e têm um grande valor informativo.

As palavras-imagens que compõem a linguagem simbólica nem sempre são inteligíveis e nunca são supérfluas.

Do ponto de vista qualitativo, proponho ao tradutor de um sonho uma chave que simplificará consideravelmente a sua abordagem. Os símbolos que aparecem num sonho podem ser classificados em três categorias:

 As balizas

A dinâmica do imaginário, tal como se manifesta no sonho livre acordado, resulta sempre de um confronto entre as duas forças das quais depende a vida:

• aquela que sustenta o adquirido e exprime o que se convencionou chamar de instinto de conservação. Se observarmos as produções oníricas que inspira, diremos que manifestam a permanência (positiva) ou a resistência (negativa);

• aquela que tende a promover o devir do ser. É uma pulsão de renovação e, segundo a nossa forma de ver as produções oníricas, diremos que manifestam a evolução (positiva) ou a entropia (negativa).

Um sonho de 600 ou 700 palavras tem entre 40 a 80 imagens cuja interpretação pode revelar o sentido oculto do sonho. É muito. No entanto, um terço destas imagens têm apenas como papel exprimir a resistência ou a evolução. São testemunho da dinâmica em acção no sonho e não dissimulam outros sentidos facilmente observáveis. Reduzem consideravelmente o campo de interpretação.

A permanência é representada por todas as imagens que exprimem rigidez, aprisionamento: a estátua, a máscara, a armadura, a parede, a múmia, o esqueleto, a prisão, o gelo, a neve, a mármore, etc. A evolução é representada por todas as imagens que simbolizam a flexibilidade, o movimento, a liberdade: a transparência, o vidro partido, o voo, os felinos, o pássaro, o trenó, a música, a dança, a cascata, etc.

 Os indicadores

Uma pequena parte das imagens que se propõem ser traduzidas, depois de retirarmos as da categoria precedente, são símbolos cujo significado está relacionado com um episódio da história pessoal do sonhador ou da sonhadora. Estas associações circunstanciais só farão sentido no momento em que os seus autores forem capazes de se lembrar da cena durante a qual essas associações foram estabelecidas. Não exigem nenhum esforço de tradução da parte do terapeuta, cujo papel se limita a solicitar que o/a sonhador/a se recorde.

 Os promotores

Trata-se, na maioria, de imagens que traduzem os valores arquetípicos universais. As projecções psicológicas a que se prestam são do conhecimento do terapeuta. A água, o fogo, a árvore, o mar, a fada, o velho sábio, as cores, a cidade branca, os cavalos, o rio, a aranha, e mais 500 outros são objecto de um estudo importante nos quatro volumes do meu Dictionnaire de la Symbolique.

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3 thoughts on “O reconhecimento dos símbolos

  1. excelente, para mim que estou buscando leituras a respeito do tema, foi muito proveitoso

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