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O Nómada

02 Nov

Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper & Row, 1989
Excertos adaptados

O Nómada

O arquétipo do Nómada é exemplificado pelas histórias de cavaleiros, de cowboys e de exploradores, que partem sozinhos para conhecer o mundo. Durante as suas viagens, encontram um tesouro, que representa simbolicamente o dom do seu verdadeiro ser. Iniciar conscientemente a própria jornada, e enfrentar o desconhecido, marca o começo de um novo nível de existência. O Nómada faz uma declaração radical: a vida não é fundamentalmente sofrimento; a vida é uma aventura.

Quer a jornada dos Nómadas seja apenas interior, quer seja exterior, os Nómadas dão sempre um salto no desconhecido, deixando para trás as velhas regras sociais, às quais obedeceram com o fito de agradar aos outros e de garantir a sua segurança. Procuram agora descobrir quem são e o que querem. Muitas vezes, tomamos conhecimento dos Nómadas porque estes exteriorizam as suas jornadas, quer viajando literalmente, quer experimentando novos comportamentos. No entanto, existem também os heróis cuja conduta exterior parece bastante convencional, embora as suas explorações do mundo interior e a sua independência mental na exploração dos seus relacionamentos com o universo sejam profundas.

A identidade dos Nómadas provém da sua condição de forasteiros. Na sua vida espiritual, experimentam com frequência a dúvida. Isto porque lhes ensinaram que Deus recompensa um certo conformismo e moralidade tradicionais – qualidades provavelmente divergentes das necessidades das suas psiques experimentadoras e em desenvolvimento. No entanto, a noite escura da alma que experimentam leva-os frequentemente a uma fé mais amadurecida e adequada.

O Cativeiro

Nos contos de fadas, o Nómada pode estar encerrado numa torre ou caverna, e costuma ser prisioneiro de uma bruxa, de um ogre tirano, de um dragão ou de alguma outra fera temível. Regra geral, o captor simboliza o conformismo e a falsa identidade impostos pelos papéis culturais predominantes.

Na medida em que tememos as grandes mudanças, tanto nas outras pessoas como em nós mesmos, podemos desencorajar estes heróis em embrião, dissuadindo-os de empreender as suas jornadas. Queremos que permaneçam como são. Podemos ter medo de perder os nossos amantes, cônjuges, amigos e até mesmo pais, se eles parecem estar a mudar demais. Talvez nos sintamos particularmente ameaçados, se alguém que vivia para nos satisfazer ou servir se recusar de súbito a fazê-lo!

A pressão que nos leva a ajustarmo-nos, a cumprirmos os deveres, a fazermos o que os outros querem que façamos, é tão forte nos homens como nas mulheres. No entanto, é mais intensa nas mulheres, porquanto o papel destas tem sido mais definido em termos de deveres e de provimento às necessidades básicas dos outros. De um modo geral, as mulheres evitam iniciar as suas jornadas porque temem magoar os seus maridos, os pais, as mães, os filhos ou os amigos. Todavia, as mulheres magoam as outras pessoas diariamente quando não iniciam as suas próprias jornadas. Por exemplo, uma das piores coisas que uma mulher pode fazer à alma de um homem é permitir que ele a oprima. Quando uma mulher ama um homem, deve reverenciar a alma deste o suficiente para saber que, não obstante o que o rapaz assustado dentro dele queira, a essência mais profunda do ser dele – a parte saudável do homem – quer o bem para si mesmo e para os outros.

Da mesma maneira, muitos homens aprisionados no seu papel de protectores não ousam empreender as suas jornadas devido ao seu sentido de responsabilidade, não só em relação aos filhos como em relação às esposas, que lhes parecem frágeis e incapazes de cuidarem de si mesmas. Se um homem ama a sua companheira, deve fortalecer o lado dela que pode ser independente, competente, aventureiro. Todas as vezes que detém a sua própria jornada por causa das aparentes incapacidade e dependência da mulher, na realidade reforça tais atitudes, contribuindo assim para a incapacitar. O ser mais forte e sábio da mulher quer crescer e quer que o homem cresça também.

Continuação

 
4 Comentários

Publicado por em 2007 em arquétipos, o Nómada, símbolos

 

4 responses to “O Nómada

  1. acayra

    2009 at 10:51 am

    Poxa, encontrei seu blog por acaso!!!
    Gostei demais!!!!

    Super abraço e sinta-se convidado em visitar o meu.

    Camila

     
  2. Roquette

    2009 at 2:53 pm

    Muito bom!

    Estar com pessoas que sabem verbalizar e trazer a tona o que existe de mais profundo em nós.

     
  3. Rose Motta

    2010 at 1:16 am

    Adorei!
    agredecimentos ao arquétipo que lhe inspirou.

     
  4. Lívia Praeiro

    2015 at 7:14 pm

    Muito legal. Adorei!

     

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