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A taça — o vaso

26 Out

Jean Chevalier; Alain Gheerbrant
Dicionário dos Símbolos
Lisboa, Ed. Teorema, 1994
Excertos adaptados

A taça – o vaso

O simbolismo, muito difundido, da taça apresenta-se sob dois aspectos essenciais: o do vaso da abundância e o do vaso que contém a bebida da imortalidade. No primeiro caso, ela é muitas vezes comparada com o seio materno que produz o leite. Mas o simbolismo mais geral da taça aplica-se ao Graal medieval, vaso que recolheu o sangue de Cristo na Última Ceia, e que contém, ao mesmo tempo, a tradição momentaneamente perdida e a bebida da imortalidade.

A taça contém o sangue, princípio de vida. É, portanto, homóloga do coração e, por conseguinte, do centro. Aliás, o hieróglifo egípcio do coração é uma taça. O Graal é, etimologicamente, ao mesmo tempo, um vaso e um livro, o que confirma o duplo significado do seu conteúdo: revelação e vida. O Graal era ainda designado como o Navio: metáfora da arca que continha os germes do renascimento cíclico, da tradição perdida. Note-se que o quarto crescente da lua, equivalente da taça, é também uma barca. Mas o amplo simbolismo do Graal aponta ainda para a expressão da imortalidade e do conhecimento. Estes obtêm-se mediante o renascimento iniciático, ou seja, a morte do nosso estado presente.

Vamos encontrar um simbolismo análogo nos alquimistas chineses que, perante a dificuldade em acederem directamente ao elixir da longa vida, transformavam o ouro obtido no cadinho em salvas e taças que se destinariam, um dia, a receber os alimentos e as bebidas da imortalidade. Relembremos os cálices eucarísticos, que contêm o Corpo e o Sangue de Cristo, e que, assim, perpetuam o Graal.

Pensemos ainda na taça como um símbolo cósmico: o ovo do mundo separado em duas formas, duas taças opostas, em que uma, a do céu, é a imagem do domo. Também no mundo céltico, a taça cheia de vinho ou de uma outra bebida embriagante, é um símbolo de soberania, geralmente oferecida por uma donzela ao futuro rei. Utilizada tanto nas libações rituais como nas refeições profanas, a taça também serve um simbolismo bastante desenvolvido nas tradições judaica e cristã.

A taça da salvação (ou da libertação) que o salmista eleva à divindade, é, ao mesmo tempo, uma realidade cultural e um símbolo de acção de graças. Mas a tónica principal do simbolismo da taça recai, na Bíblia, sobre o destino humano: o homem recebe das mãos de Deus o seu destino como uma taça, ou contido numa taça.

Pode, então, tratar-se de uma taça transbordante de bênçãos, ou duma taça cheia do fogo do castigo, a taça da cólera divina. Aliás, a taça do amor ou o vinho da alegria serão dados aos santos no Paraíso, como símbolo evidente da comunhão na adoração e no amor.

Na Cabala, o vaso significa o Tesouro. Apoderar-se de um vaso é conquistar um tesouro. Partir um vaso é aniquilar, pelo desprezo, o tesouro que ele representa.

Na literatura medieval, o vaso contém um tesouro – o Graal, as Litanias, etc. O vaso alquímico e o vaso hermético significam sempre o lugar onde as maravilhas se operam: é o seio materno, o útero no qual se forma um novo nascimento. Daí a crença que o vaso contém o segredo das metamorfoses.

Sob múltiplos aspectos, o vaso encerra o elixir da vida: é um reservatório de vida. Um vaso de ouro pode significar o tesouro da vida espiritual, o símbolo de uma força secreta.

O facto de o vaso ser aberto em cima indica uma receptividade às influências celestes.

 
1 Comentário

Publicado por em 2007 em cálice, símbolos, sonhos, taça, vaso

 

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One response to “A taça — o vaso

  1. Nelson Reis de Albuquerque

    2012 at 1:28 pm

    Sonhei que estava em um salao redondo, rodeado por 13 portas gigantescas, cada uma tendo entalhada a figura de um homem vestindo tunicas. No centro do salao estava o Graal sobre uma pequena coluna, mas era todo de cristal e trabalhado em baixo relevo.
    Ele me era dado e eu o segurava entre as maos, quando um tremor sacudiu tudo, eu sai do local e corri por quilometros, levando o Graal comigo, ate ouvir uma explosao, e olhando para tras vi um cogumelo atomico que surgiu do local do salao onde eu estava. Nas nuvens no topo da explosao, e nas montanhas em volta, havia surgido escrito com letras gigantescas e repetido a toda volta o nome JO’.

     

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