A montanha

foto montanha flores 8 m

O simbolismo da montanha é múltiplo: está ligado ao simbolismo da altura e ao simbolismo do centro. Na medida em que é alta, vertical, elevada, próxima do céu, a montanha participa do simbolismo da transcendência. Funciona, assim, como o encontro do céu e da terra, morada dos deuses e termo da ascensão humana.

Todos os países, todos os povos, e a maioria das cidades têm a sua montanha sagrada. Este duplo simbolismo da altura e do centro, próprio da montanha, encontra-se também entre os autores espirituais. As etapas da vida mística, por exemplo, são descritas por S. João da Cruz como uma ascensão, a “subida do Carmelo”. Já Santa Teresa de Ávila as define como as diferentes “moradas da alma” ou o “castelo interior”.

A montanha exprime também as noções de estabilidade, de imutabilidade, por vezes até de pureza. É, ao mesmo tempo, o eixo e o centro do mundo. É a morada dos deuses e a sua ascensão é representada como uma elevação em direção ao céu, como o meio de entrar em comunhão com a divindade, como um regresso ao Princípio

As montanhas axiais mais conhecidas são o Meru, na Índia, o Ku’en-luen, na China, o Olimpo grego, a Ka’ba de Meca, o monte Tabor, a montanha branca dos celtas, o Montsalvat onde se encontra o Graal, etc. Também Dante situa o paraíso terrestre no cimo da montanha do Purgatório e a Acrópole de Atenas eleva os seus templos no cume de um monte sagrado. Mas todas as tradições são unânimes em assinalar as dificuldades e os perigos da subida íngreme. Se a ascensão é símbolo da evolução espiritual, é também símbolo de um progresso e da conquista árdua do verdadeiro conhecimento.

As peregrinações às montanhas sagradas simbolizam um desprendimento progressivo da esfera quotidiana do ser humano e a sua elevação espiritual. A subida à montanha simboliza uma elevação em direção ao céu, ao Espírito, uma espécie de regresso à Origem.

Mas como todos os símbolos, também o da montanha apresenta uma dupla vertente, uma dualidade que importa referir. Por um lado, a montanha é o espaço privilegiado da comunicação com o divino (a montanha faz a junção da terra e do céu). Quando é sagrada, situa-se no centro do mundo – ela é a imagem do mundo – e o templo encontra-se muitas vezes associado a ela. Por outro lado, a montanha também pode significar, enquanto elevação, a hybris, o orgulho desmedido dos que pretendem rivalizar com os deuses. Pense-se na Torre de Babel, por exemplo.

Ao simbolizar a morada dos deuses, de Deus, a montanha representa ainda as qualidades superiores dos que seguem a via do Conhecimento, da Sabedoria. Chegar ao seu cume é, pois, penetrar o mistério em toda a sua plenitude. Daí que a montanha sagrada seja sempre um espaço de isolamento, de contemplação, de jejum e de meditação. Só assim se poderá manifestar o Invisível.

Escalar a sua montanha interior é alcançar a conciliação dos opostos, que tantas vezes lutam na psique de cada ser humano, com vista à união última consigo próprio, com os outros e com o Universo.

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