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A mãe

08 Out

Pierre Real
Dos Sonhos aos Símbolos – Interpretação dos Sonhos
Lisboa, Ed. Marabu-Notícias, 1967
Excertos adaptados

Os rostos que nos rodeiam

A MÃE – É raro sonharmos com a nossa mãe no seu aspecto quotidiano, salvo se for uma simples recordação de qualquer facto recente.

Nove vezes em dez, a mãe é considerada um grande símbolo, só intervindo nos sonhos importantes.

Em sonhos, a mãe assume numerosas feições. Pode ser simbolizada pela terra, mas igualmente por uma clínica ou uma gruta! Será de admirar? Vejamos: em toda a Humanidade, a mãe é uma figura altamente tradicional. Representa a sabedoria, a segurança, a autoridade, a benevolência, a compreensão. A mãe é uma pessoa que cria, trata, envolve e acaricia… Não é, portanto, de espantar que, através dos tempos, se tenha tornado numa figura de luz, cristalizada, com o mesmo significado para todos nós!

É no entanto anormal sonhar frequentemente com a mãe, qualquer que seja a sua forma simbólica. Isso significa que o adulto não se separou moralmente dela e que é incapaz de voar com as suas próprias asas…

Existem duas espécies de mães: as que amam e as que dominam. Mas uma mãe amante em demasia pode ser terrível (e conseguir resultados tão funestos) como uma mãe dominadora!

Aliás, estas características anormais encontram-se muitas vezes em sonhos. A mãe apresenta-se, pois, sob numerosos símbolos. Damos a seguir os mais correntes:

A TERRA – Como já vimos, compara-se a terra a uma mulher e até se diz «a nossa Terra-Mãe…».

A ÁGUA – Porque a água acaricia e envolve, como uma mãe.

Uma mãe oferece segurança, portanto muitas coisas que simbolizam a segurança moral ou física poderão representar a vossa mãe. Compreendem agora por que razão uma clínica ou um hospital podem, nos sonhos, simbolizar a vossa mãe! A clínica é um lugar onde nos sentimos bem, onde nos encontramos protegidos, envolvidos, tratados, etc.

A título de exemplo, eis o sonho de uma rapariga de 24 anos, amedrontada, angustiada, fugindo sistematicamente da vida:

Sonhou que gatinhava (portanto, como uma criança) e se dirigia para uma gruta bastante baixa na qual entrou, subindo por uma abertura que se prolongava por um pequeno túnel que terminava em forma de pêra, onde se deitou como um cão!

Examinemos o sonho. Nele encontramos todos os elementos que nos provam várias coisas, saber: esta jovem deseja voltar ao seio materno; deseja encontrar-se como antes do nascimento, no ventre de sua mãe, no qual os perigos deste mundo não tinham lugar. A gruta é o símbolo da mãe; a abertura, o túnel, a forma de pêra, são símbolos da entrada no seio «materno» (de que recordam a forma). Por fim, a rapariga deita-se como faria um cachorro (que é uma posição de auto-protecção que lembra a do feto).

Eis alguns símbolos oníricos que derivam da mãe:

• a ama, a governanta, a enfermeira (que amam, tratam e protegem);
• a Virgem (que é a imagem absoluta da mãe);
• a Igreja, o país onde se nasceu, a cidade que se ama (que representam a segurança, a infância e a felicidade);
• o campo, a árvore, a fonte (o campo que representa a Terra-Mãe; a Árvore da Vida; a Fonte da Vida).

E as mães dominadoras e «terríveis»? São essas mulheres tirânicas que impedem a criança de se desenvolver moralmente, se agarram a ela com todas as forças, impondo-lhe as suas vontades, etc. Estas mães «quebram» moralmente a criança, que experimenta sempre violentas revoltas, muitas vezes inconscientes. É portanto, natural, que este tipo de mães apareça em sonhos sob as formas mais diversas, tais como:

• a feiticeira, o dragão, o espantalho;
• um animal cujo abraço é mortal;
• um túmulo, as profundidades marítimas (que aniquilam a personalidade e a consciência lúcida).

Quando um adulto sonha com a mãe, é sempre necessário analisar profundamente o sonho, o que nos dará preciosas indicações sobre o comportamento interior, mostrando o grau de maturidade, revelando os complexos e as ligações anormais entre ele e a mãe, e permitindo evitar revoltas e, às vezes, ódios escondidos…

O pai

 

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