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	<title>Simbolismo dos sonhos</title>
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		<title>Simbolismo dos sonhos</title>
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		<title>A angústia dos tempos e o caminho da paz &#8211; E. Perrot</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 09:29:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Etienne Perrot Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme. Conférences sur la vie intérieure Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991 (excertos adaptados) A angústia dos tempos e o caminho da paz Se escolhi este título, não foi por preocupação de demagogia ou para estar na moda. A realidade é bem diferente. Se as gerações que nos precederam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=112&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Etienne Perrot<br />
<em>Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme.</em><br />
<em>Conférences </em><em>sur la vie intérieure</em><br />
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991</p>
<h5>(excertos adaptados)</h5>
<h3 style="text-align:center;">A angústia dos tempos e o caminho da paz</h3>
<p style="text-align:justify;">Se escolhi este título, não foi por preocupação de demagogia ou para estar na moda. A realidade é bem diferente. Se as gerações que nos precederam conheceram a ansiedade diante da infelicidade do tempo, a nossa é mais precisamente a época em que a ansiedade e o medo aparecem de uma forma extremamente precisa. Todo aquele que recebe as confidências de seres normais, às voltas com problemas normais, tendo uma situação normal, uma boa posição social, etc., não pode deixar de se sentir chocado com a clivagem que existe entre uma aparência feliz, dinâmica, progressista, e o fosso, o vazio que tal aparência encobre.</p>
<p style="text-align:justify;">Se aqui falo esta noite, é na qualidade de representante de uma percepção e de uma voz, cujo eco encontrei em mim e à minha volta, em pessoas que despertaram para esta maneira de ver na sequência de indicações, de directrizes, de sugestões vindas do interior. Essa voz imemorial da humanidade foi transmitida por Carl Gustav Jung (entre outros), falecido há vinte anos em Zurique, e que passou a sua juventude em Bâle, onde se formou o seu destino e delineou a sua carreira. Jung teve a intuição genial de que existe um sentido no ser, e um sentido que está para além do indivíduo, sentido esse que faz desabar as doutrinas e fere de caducidade muitos discursos. Tinha junto de si o pai, pastor protestante, que ele respeitava e que tinha visto praticamente morrer por ter perdido a fé.</p>
<p style="text-align:justify;">Qual era o drama deste homem? Ele sentia que a sua noção de Deus era demasiado estreita, que não recobria a sua experiência vital, que não recobria a sua vida, e isso, Jung sabia-o desde a sua adolescência. Tendo decidido dedicar-se à exploração do homem em toda a sua amplitude, compreendeu que a sua via seria a psiquiatria, a medicina da alma: por meio dela, poderia abordar a totalidade do indivíduo. Deu-se conta de que havia para cada um de nós uma espécie de pano de fundo, todo um domínio que se manifestava sobretudo em actos realizados casualmente e nos sonhos. Foi assim que encontrou Freud. É conhecida a colaboração de Freud e de Jung que durou sete anos. Jung tinha sentido, desde o início, que ela não poderia ir muito mais além, por não ser sua intenção, em absoluto, limitar o domínio que se lhe oferecia à exploração.</p>
<p style="text-align:justify;">Não suportava que se fizesse deste o objecto de uma teoria destinada a reduzir fenómenos demasiado desconfortáveis de observar, porque demasiado vastos e envolvendo em demasia o destino do observador, obrigando-o, a ele próprio, a uma transformação. Separou-se de Freud, mergulhou nos abismos, deixou emergir de dentro de si imagens e forças até então mantidas na retaguarda; viveu durante cinco anos aquilo a que deu o nome de <em>confronto com o inconsciente</em>, uma aventura vital, um corpo a corpo sem tréguas que, curiosamente, durou o espaço da Primeira Guerra Mundial, guerra que Jung tinha vislumbrado, numa visão de 1913, pressentindo-a anunciar‑se e abater-se sobre a Europa.</p>
<p style="text-align:justify;">No final dessa exploração, sentiu que uma paz se instalava dentro dele, uma paz que ele representou por símbolos de totalidade que apareciam espontaneamente sob o seu pincel ou caneta. Designou-os pelo nome sânscrito de <em>mandala </em>e deu-lhes o nome filosófico de <em>Si Mesmo</em>, por oposição ao “eu”. Não inventou este nome, foi buscá-lo à filosofia da Índia para o tornar algo de bem diferente de um conceito filosófico. Para os hindus, o indivíduo possui uma essência sagrada, divina. Há um deus interior a que se dá o nome de Atman, e este deus interior é, ao mesmo tempo, a alma do universo; este nome é igualmente o pronome reflexo “Si”.</p>
<p style="text-align:justify;">Jung tinha sentido instalar-se nele aquilo que designa por <em>objectividade psíquica</em>: “<em>Tenho humores, movimentos contraditórios, surgem em mim imagens, ora obscuras ora claras, ora agressivas ora amigáveis, mas, se me dedicar à sua observação de uma forma serena, dizendo-me que este desenrolar tem sentido e se dirige para um objectivo, vejo estabelecer-se uma harmonia, operar-se uma reconciliação entre os contrários. Sou muito naturalmente um indivíduo com a minha equação pessoal, as minhas exaltações, as minhas impaciências, os meus pequenos senãos, mas sei que isso é a minha superfície e que há, por detrás, um centro imutável, um oceano de paz, ou ainda, por outras palavras, um sol sem ocaso, uma flor de ouro imortal, uma estrela.”</em></p>
<p style="text-align:justify;">Isto não é uma afirmação filosófica ou um ideal a que ligar uma crença. É antes uma experiência, uma realidade empírica que pode ser constatada e que impregna uma vida, a centra e lhe dá sentido. Eis o alcance da experiência vital levada a cabo por Jung, e eis que este nos tornou capazes de a vivermos também, não como uma crença, não como um programa que é preciso realizar à força de concentração e meditações, mas como uma respiração, como um ponto de chegada, fruto de uma atitude que me vou esforçar por descrever.</p>
<p style="text-align:justify;">
<hr size="1" />* Palavras pronunciadas em Mulhouse, em Abril de 1982.</p>
<h3 style="text-align:justify;">Continuação:</h3>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-%e2%80%93-e-perrot/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  II </a></li>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot-2/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  III </a></li>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  IV  </a></li>
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		<title>A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 09:25:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Etienne Perrot Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme. Conférences sur la vie intérieure Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991 (excertos adaptados) A angústia dos tempos e o caminho da paz  I Vivemos num mundo consciente, onde nos colocou a nossa educação, a nossa cultura. Fomos educados num quadro moral, seja ele religioso ou laico. Recebemos uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=110&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Etienne Perrot<br />
<em>Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme.</em><br />
<em>Conférences </em><em>sur la vie intérieure</em><br />
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991</p>
<h5>(excertos adaptados)</h5>
<p style="text-align:justify;"><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot-3/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  I </a></p>
<p style="text-align:justify;">Vivemos num mundo consciente, onde nos colocou a nossa educação, a nossa cultura. Fomos educados num quadro moral, seja ele religioso ou laico. Recebemos uma instrução centrada na aquisição de noções racionais, remetendo para o plano secundário toda a zona da imaginação e da emotividade. Esta é relegada para aquilo a que se dá o nome de <em>inconsciente</em>. O <em>inconsciente</em> não é apenas aquele receptáculo, aquela lata do lixo das pulsões sexuais a que Freud o quis reduzir; ele é, segundo o testemunho de Jung, a fonte das inspirações, a fonte do indivíduo, a fonte da vida psíquica, a fonte da expansão vital. Jung compreendeu que esse impulso em direcção à expansão era feito da reunião dos contrários e que ele aparecia, essencialmente e em primeiro lugar, nos sonhos.</p>
<p style="text-align:justify;"> E é aqui que se encontra a intuição-chave, a extremidade do fio de Ariane que vos convido a agarrar. Freud tinha pronunciado esta fórmula admirável: <em>Os sonhos são a via real do inconsciente</em>. Mas não a explorou como poderia tê-lo feito, por causa do quadro intelectual e vital que era ainda o seu (tinha mais vinte e quatro anos do que Jung). Jung tomou à letra esta afirmação e quis explorá-la. Nós também. Vou fazer-lhes uma confissão: venho de muito longe, procurei muito, como se diz, no Oriente, no Ocidente, nas coisas antigas; depois, conheci a psicologia de Jung, a alquimia, a transformação que ela promete. Achei tudo isto apaixonante, mas pensei que, na prática, punha em jogo métodos demasiado complexos que aparecem nos conceitos que se encontram nos livros de Jung.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi gradualmente, no decurso dos anos e da minha experiência, desde que me tornei, eu próprio, intérprete de sonhos, que compreendi que não éramos mestres nem psicólogos, seres que dirigem um processo, mas que éramos servidores desse processo, que estávamos à escuta do que se passa no interior. Não sou eu o mestre, mas o mestre está em mim, como em cada um de vós; fala pela voz dos sonhos. Não vou fazer aqui a história da interpretação dos sonhos através dos séculos. O que sei, o que vejo, o que posso comprovar é que, nesta angústia que é a nossa, neste caos intelectual e espiritual que é o nosso, neste desmoronar dos magistérios, nesta falência das igrejas, dos intelectualismos e das ideologias políticas, há uma fonte, uma luz que nasce. Este Deus não brilha na praça pública ou no céu das nações. Brilha humildemente no coração dos seres, no coração de cada um.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta luz aparece nos sonhos, e nos sonhos vistos como devem sê-lo. Tive uma experiência marcante que data de há três anos, quando, por uma conjugação de circunstâncias, me foi dado “escutar” a alma francesa, acolhendo sonhos dos ouvintes da <em>France-Inter.</em> Vi aparecerem nesses sonhos revelações maravilhosas: nesta última semana, por exemplo, recebi a carta de um ouvinte que, com a mulher, mergulhou desde então no estudo dos seus sonhos. Voltou a ouvir as gravações, viu a sua vida transformada e vem agora perguntar‑me como poderiam ir ambos um pouco mais longe.</p>
<p style="text-align:justify;">O <em>inconsciente</em>, tal como o vemos aparecer, era, por definição, o que é obscuro, o que é desconhecido. É por isso que Jung chamou aos elementos mais importantes que se manifestam de início a <em>sombra</em>. A <em>sombra </em>é aquilo de que tenho medo, que me angustia, é a insegurança, é o inimigo. Enquanto não mergulhar em mim próprio, vou ver este inimigo fora de mim: será o partido contrário, será a nação que ameaça a minha. E assim como a minha nação toma medidas de defesa contra os que a ameaçam, esta ameaça que sinto pesar sobre mim é reenviada àquele que me ameaça, que se defende por sua vez.</p>
<p style="text-align:justify;">Assiste-se assim a um fenómeno de ressonância que – aprendemos em física – adquire uma amplitude cada vez maior, a ponto de poder acabar num desabamento ou numa explosão. Portanto, se me inclinar sobre aquilo que há em mim, dou conta de que o inimigo exterior é longínquo e hipotético e que tenho de me reconciliar inicialmente com aquela angústia obscura que existe em mim. Se me reaproximar dela, se dialogar com ela, conseguirei um apaziguamento, desmontarei a angústia. Se a desmonto em mim, desmonto também uma parte da angústia colectiva. Esta parcela de paz que se instalou em mim entra, então, no capital da colectividade à qual pertenço.</p>
<h3 style="text-align:justify;">Continuação:</h3>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot-2/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  III </a></li>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  IV  </a></li>
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		<title>A angústia dos tempos e o caminho da paz &#8211; E. Perrot</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 09:20:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Etienne Perrot Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme. Conférences sur la vie intérieure Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991 (excertos adaptados) A angústia dos tempos e o caminho da paz   I A angústia dos tempos e o caminho da paz   II Não é por nada que os antigos alquimistas diziam que a Grande Obra consistia em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=107&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Etienne Perrot<br />
<em>Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme.</em><br />
<em>Conférences </em><em>sur la vie intérieure</em><br />
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991</p>
<h5>(excertos adaptados)</h5>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot-3/">A angústia dos tempos e o caminho da paz   I </a></li>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-%e2%80%93-e-perrot/">A angústia dos tempos e o caminho da paz   II </a></li>
<p style="text-align:justify;">Não é por nada que os antigos alquimistas diziam que a <em>Grande Obra</em> consistia em transformar a obscuridade em luz, em obter, em primeiro lugar, o caos, o <em>caos dos sábios</em>, que nós interpretamos de uma forma muito simples. Devo deixar o limite, o meu pequeno universo bem balizado: “Basta fazer isto, basta fazer aquilo, uns são maus e outros são bons.” É preciso aceitar entrar numa incerteza, enfrentar aquele jogo de imagens e de emoções desconcertantes que são oferecidas pelo <em>inconsciente</em> e pelos sonhos. É isto a realização do <em>caos dos sábios</em>. Os alquimistas chamavam-lhe também <em>nigredo</em>, negrura, onde se encontra a mesma ideia de obscuridade. Diziam que a luz nele nascia gradualmente, a partir das trevas.</p>
<p style="text-align:justify;">Diziam ainda – eis um outro tema dos sonhos – que a <em>Grande Obra</em> consistia em extrair o ouro do excremento: <em>aurum ex stercore</em>. Devemos pois abandonar a nossa atitude de dignidade, de boa educação, aceitando o que Freud nos ensinou: que existem em nós pulsões, lodo. A diferença em relação ao que ensina ainda uma certa psicanálise sem alma, sem nobreza, sem aspiração, é que nós não nos enterramos nesse lodo. Tendo-o contemplado com um sentimento de humildade, mas também de confiança na vida e na sua amplitude, sabemos que a fé e o amor que dedicamos à vida nos permitirão integrar esta matéria indigna, ignóbil, num conjunto em que ela se harmonizará com o que há de mais elevado, em que o mais baixo alcançará o mais alto. Ainda na linguagem dos alquimistas, <em>o céu e a terra desposar-se-ão</em>, isto é, o inconsciente e o consciente aliar-se-ão para produzirem um fruto de paz e de claridade.</p>
<p style="text-align:justify;">Poderia, a este respeito, enumerar um sem número de sonhos, mas o importante é fornecer‑vos um fio condutor. Para ir um pouco mais longe, vou expor um outro sonho, relatado muito recentemente:<em> Há uma fonte que corre, o curso é abundante, mas a cor da água é turva. A sonhadora sabe que se regressar à origem da fonte, a água tornar-se-á cada vez mais clara. Chega assim ao próprio orifício onde vê que uma água transparente corre através de tufos de ervas, como se vê nas fontes dos campos. E</em> (isto é muito importante)<em> ela sabe que se olhar com atenção para aquela nascente, o curso de água vai aumentar e a nascente vai tornar-se mais abundante.</em></p>
<p style="text-align:justify;"> Aquilo a que vos convido é a aceitardes olhar em face a vossa nascente e não vos espantardes se a produção for de início feia e mesmo fétida. A fonte da vida está presente nos sonhos e nos livros alquímicos mas, antes disso, antes da alquimia histórica que conhecemos, encontramo-la nos grandes ensinamentos religiosos. É a fonte donde jorra a vida eterna do <em>Evangelho </em>de João, é a fonte de vida apocalíptica, é a presença divina em nós.</p>
<p style="text-align:justify;">O <em>Si Mesmo</em>, constata Jung, corresponde, tal como se apresenta, às definições que a teologia dá da divindade. Perguntaram-lhe um dia: “Então, para si, o <em>Si Mesmo </em>é Deus?” Ele respondeu: “<em>Não sou teólogo, não faço metafísica, constato factos, vejo que estes factos têm o valor esclarecedor e tranquilizador que concede ao indivíduo um sentimento de certeza, lhe dá acesso a todo um mundo de experiência que é o mundo religioso tradicional, mas liberto de toda a estreiteza, de toda a doutrina, e isso basta-me.</em>” E a mim, confesso-vos, também me basta.</p>
<p style="text-align:justify;">Falei-lhes, sumariamente, da reconciliação das energias que vêm do além para nos enriquecer, alargar a nossa vida numa conciliação de opostos, e que fazem do indivíduo testemunha e portador de uma realidade que o ultrapassa infinitamente. Encontrámos aí também os grandes ensinamentos do Oriente e do Ocidente: o homem é de essência sagrada, há um deus no homem: <em>Est deus in nobis</em>, dizia o estóico romano Séneca: “<em>Há um Deus em nós</em>.” O que nos parece – e alcançamos aqui o aspecto prático do nosso propósito, um dos que anunciei ao começar –, é que este “deus” é feito de conciliações de opostos e nos coloca em ressonância com o universo. Mostra-nos, nos próprios sonhos, aquilo que os alquimistas afirmavam, isto é, que o indivíduo é um microcosmos, um universo em ponto pequeno, onde se reflecte o grande universo.</p>
<p style="text-align:justify;"> Segue: <a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  IV </a></p>
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		<title>A angústia dos tempos e o caminho da paz &#8211; E. Perrot</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 09:19:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Etienne Perrot Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme. Conférences sur la vie intérieure Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991 (excertos adaptados) A angústia dos tempos e o caminho da paz  I A angústia dos tempos e o caminho da paz   II A angústia dos tempos e o caminho da paz   III Parece assim que a visão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=105&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Etienne Perrot<br />
<em>Péril nucléaire et transformation de l&#8217;homme.</em><br />
<em>Conférences </em><em>sur la vie intérieure</em><br />
Paris, Ed. Jacqueline Renard, 1991</p>
<h5>(excertos adaptados)</h5>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot-3/">A angústia dos tempos e o caminho da paz  I </a></li>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-%e2%80%93-e-perrot/">A angústia dos tempos e o caminho da paz   II </a></li>
<li><a title="A angústia dos tempos e o caminho da paz – E. Perrot" href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2010/02/22/a-angustia-dos-tempos-e-o-caminho-da-paz-e-perrot-2/">A angústia dos tempos e o caminho da paz   III </a></li>
<p style="text-align:justify;">Parece assim que a visão caótica dos fenómenos que nos é oferecida pela ciência moderna (ou era oferecida, porque a ciência evoluiu muito), se harmoniza no indivíduo. Tendo realizado em si mesmo uma unidade e uma harmonia, o indivíduo vê a sua visão mudar e projecta um olhar transformado sobre o universo. Existe, neste sentido, uma corrente científica muito forte, nascida nos Estados Unidos, cujos ecos potentes vêm actualmente até nós, numa relação muito estreita com as descobertas de Jung. Estes autores falam muito, talvez demasiado, porque as palavras podem dispensar de realizar as coisas; trata-se de evocar a unidade do mundo, do<em> unus mundus</em>, que é o termo que Jung pediu “emprestado” aos alquimistas, para traduzir essa visão unificada do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ora, essa unidade do mundo vive em nós, em mim. Se essa unidade for realizada em mim, e se eu me sinto em ressonância com o universo, projecto invisível e insensivelmente essa unidade à minha volta. Expande-se uma radiação e, em vez de propagar a angústia, em vez de propagar desejos caóticos, arbitrários, frutos de pulsões que não sei até que ponto são legítimas, propago essa paz à minha volta. É assim que me torno um artífice da paz e é assim que a colectividade pode beneficiar daquela obra eminentemente individual e secreta que eu tiver empreendido.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de terminar, queria ler-vos um sonho. Julgo que não poderia encontrar melhor conclusão:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Um cataclismo acaba de se abater sobre a terra, não se precisa qual, é talvez uma guerra, um sismo. A humanidade está mergulhada no sofrimento e na angústia. Os grandes agitam‑se, chovem decisões, mas a situação continua num impasse. Num canto retirado, três homens, simples de espírito, sentem-se acabrunhados por ouvirem os prantos à sua volta. Sofrem como os outros, com um sofrimento que ultrapassa as suas pessoas, como se transportassem sobre os seus pobres ombros o peso do mundo desnorteado. Mas, o que fazer? Sentem-se de tal modo impotentes&#8230; “Vinde”, disse um deles, “entremos, sentemo-nos à volta da mesa, talvez nos seja dada a inspiração.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> Ei-los sentados à volta da pobre mesa de um quarto sombrio. Uma fraca lâmpada projecta sobre as paredes os seus ombros imóveis. Permanecem ali, a cabeça entre as mãos, a fronte enrugada, os cotovelos apoiados na mesa, os três encostados uns aos outros, fundidos num só pelo ardor da fé que existe nos seus corações. Sofrem, procuram sem palavras, sem pensar, no interior deles próprios, sem que nada do que se passa no exterior venha perturbar a sua meditação silenciosa. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Isto dura muito tempo e eis que, uma manhã, um jovem surge cheio de entusiasmo. Grita, canta, abraça os três homens espantados e arrasta-os numa dança louca: “Acabou! Como? Foi graças a vós e não sabíeis? Era de calor e unicamente de calor que os homens tinham necessidade para que a paz regressasse. E foi desta concentração inocente, desta imobilidade activa que era a vossa que nasceu esse calor. Primeiro imperceptível, ele intensificou-se e irradia agora para lá das fronteiras, activado à medida que o vosso recolhimento se tornava mais intenso.”</em></p>
<p style="text-align:justify;">Isto não foi uma meditação, a aspiração de uma alma espiritualista confiante na virtude da caridade; tratou-se de uma experiência interior que foi concedida a uma pessoa e que lhe foi dada através de um sonho.</p>
<p style="text-align:justify;">Queria simplesmente, à guisa de comentário, referir que os sonhos apontam o trabalho que deve ser o nosso (um trabalho que reclama de nós atenção, docilidade e amor): domesticação, integração e valorização da energia central que em nós reside. Tal tarefa é mostrada sempre pelos sonhos como o antídoto para a desintegração nuclear.</p>
<p style="text-align:justify;">Penso noutro sonho que resumo:<em> Um homem distribuía pelos jovens urânio enriquecido, para permitir que atravessassem os cataclismos atómicos que se anunciavam.</em> <em>Uranium </em>significa “metal celeste.” O urânio enriquecido, matéria‑prima da bomba atómica, era manifestamente aqui o resultado do trabalho interior que era o antídoto da desintegração exterior.</p>
<p style="text-align:justify;">À conflagração que nos espera, podemos opor aquilo que nos é oferecido pela natureza, que é a sobrenatureza em nós: a eclosão de uma estrela irradiante. Esta estrela é a estrela de Natal, é a estrela do nascimento divino, é a estrela do Deus-menino que se apresenta humilde e despojado de todos os atributos do poder. Esta criança tem um nome: Emanuel, “Deus connosco”. Entre os epítetos tradicionais que lhe são atribuídos figuram os de “Pai do século vindouro” e de “Príncipe da Paz”.[1]</p>
<p style="text-align:justify;">É a este nascimento que todos somos convidados.</p>
<p style="text-align:justify;">[1] Isaías 9,6.</p>
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		<title>O lugar do mito na vida moderna &#8211; James Hollis</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 21:28:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[psique]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>
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		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Inconsciente colectivo]]></category>
		<category><![CDATA[Jung]]></category>

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		<description><![CDATA[Rastreando os Deuses. O lugar do mito na vida moderna Dizem que, em média, gastamos seis anos de nossa vida sonhando. Essa façanha prodigiosa faz parte do intento teleológico da psique. Os sonhos são a rota íntima de saída da alma e constituem o processo gerador de mitos em cada pessoa. A rica tessitura de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=98&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;">
Rastreando os Deuses. O lugar do mito na vida moderna</h3>
<p align="justify">Dizem que, em média, gastamos seis anos de nossa vida sonhando. Essa façanha prodigiosa faz parte do intento teleológico da psique. Os sonhos são a rota íntima de saída da alma e constituem o processo gerador de mitos em cada pessoa. A rica tessitura de detalhes, a “transgressão” da lei de tempo e espaço vigente na vigília, o poder de síntese de novas combinações, as abundantes alusões a experiências anteriores, são todos aspectos conhecidos do estudioso de sonhos. Sempre misterioso e ineditamente surpreendente, em geral enigmático, trabalhar com sonhos vincula-nos de modo irremediável com o mistério. Se temos condições de acompanhar os sonhos durante certo período, eles efectivamente indicam movimentos, mostram, sem sombra de dúvida, como a pessoa está a trabalhar com as suas questões pessoais e resolvê-las. A soma desses sonhos constitui um épico heróico no mínimo tão extraordinário quanto os produzidos por Homero ou Dante. A descida ao mundo inferior está aí, os monstros temíveis, o imenso cartel de personagens, as batalhas titânicas – ou seja, o próprio conteúdo dos mitos.</p>
<p align="justify">As descobertas de Freud apresentadas na sua obra <em>Interpretação dos sonhos</em> são úteis quando se considera a natureza do trabalho mítico. Nos sonhos, o inconsciente condensa eventos aparentemente aleatórios numa epifania concisa e de sentido íntimo. O inconsciente fala por meio de imagens afectivamente carregadas e não através de conteúdos cognitivos. Essas imagens corporificam o significado nas metáforas e nos símbolos.</p>
<p align="justify">Às descrições freudianas do trabalho com os sonhos, Jung acrescentou a ideia do inconsciente colectivo, no qual as imagens são comuns não só à vida de cada um, mas também à do universo. Ele também percebeu que os sonhos não eram só desejos indirectamente satisfeitos, mas, muitas vezes, comentários espontâneos do Si-Mesmo a respeito da vida do sonhador. De acordo com Jung, os sonhos podem ser não só teleológicos, promovendo as metas da consciência e da completude, mas também estão em busca de compensações para as unilateralidades das adaptações conscientes. Dessa maneira, são dotados de propósito e capazes de efectuar correcções, desde que, é óbvio, a pessoa possa assimilar conscientemente a mensagem.</p>
<p align="justify">Na mesma medida que a psique é atemporal e abarca todas as coisas humanas, devemos reconhecer e admitir que as vidas que construímos são parciais, contidas pelo tempo e fragmentárias. Se pendemos à direita, privilegiando as escolhas conscientes, a psique arrasta-nos para a esquerda a fim de nos centrar. Os sonhos, por conseguinte, confrontam-nos com nossas vidas não-vividas, não com o que somos, mas com o que poderíamos tornar-nos; não com o que fizemos, mas com o que não conseguimos realizar. Quando discernimos a natureza e o motivo do trabalho onírico, podemos, igualmente, perceber o mesmo processo em funcionamento no trabalho mítico. Já se disse que o sonho é a mitologia da pessoa e que o mito é o sonho de uma tribo. Ambos se originam espontaneamente nas profundezas e confirmam as actividades de auto-regulação do psiquismo. Da mesma forma que os sonhos fazem parte do correctivo teleológico exercido pela psique individual, dando continuidade à misteriosa missão da natureza no íntimo de cada um de nós, também os mitos, procedendo das mesmas camadas abissais, contêm o correctivo teleológico da alma.</p>
<p align="justify"> </p>
<p style="text-align:right;">James Hollis<br />
<em>Rastreando os Deuses. O lugar do mito na vida moderna</em><br />
Paulus, São Paulo, 1999</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sonharsimbolos.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sonharsimbolos.wordpress.com/98/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=98&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Jornada do Herói</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/03/a-jornada-do-heroi-3/</link>
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		<pubDate>Sat, 03 Nov 2007 09:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[dragão/dragões]]></category>
		<category><![CDATA[o Herói]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson The Hero Within San Francisco, Harper &#38; Row, 1989 Excertos adaptados A Jornada do Herói Foi a preocupação com a possibilidade de não conseguirmos solucionar os grandes problemas políticos, sociais e filosóficos do nosso tempo, caso muitos de nós persistíssemos em ver o herói como algo de exterior a nós mesmos, que me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=92&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
Excertos adaptados</p>
<p align="center"><strong>A Jornada do Herói</strong></p>
<p align="justify">Foi a preocupação com a possibilidade de não conseguirmos solucionar os grandes problemas políticos, sociais e filosóficos do nosso tempo, caso muitos de nós persistíssemos em ver o herói como algo de exterior a nós mesmos, que me inspirou a escrever <em>The Hero Within</em>. O livro pretende ser um convite a empreender a jornada e desafiar os leitores a reivindicarem o seu próprio heroísmo. Esta jornada não implica tornar-se maior, melhor, ou mais importante do que qualquer outra pessoa. Todos somos importantes. Todos temos uma contribuição fundamental a dar, o que só podemos fazer assumindo o risco de sermos nós mesmos e únicos.</p>
<p align="justify">Sabemos que, sob a busca frenética de dinheiro, estatuto, poder e prazer, bem como sob as atitudes obsessivas e viciadas habituais nos dias de hoje, existe uma sensação de vazio e uma ânsia de ir mais fundo, comum a todos os seres humanos. Ao escrever <em>The Hero Within</em>, pareceu-me que todos nós precisamos de encontrar, se não o “sentido da vida”, pelo menos o sentido das nossas próprias vidas individuais, para que possamos descobrir formas de viver e de ser fecundas, efectivas e autênticas.</p>
<p align="justify">Todos os mitos do herói, culturais ou individuais, mostram-nos os atributos que são considerados como definidores do bem, do belo e da verdade, e assim transmitem-nos as aspirações que são valorizadas culturalmente. Muitas dessas histórias são arquetípicas. Os arquétipos, como postulava Carl Jung, são padrões permanentes e profundos da psique humana, que se mantêm poderosos e actuantes ao longo do tempo. Para empregar a terminologia junguiana, tais padrões podem existir no “inconsciente colectivo”, na “psique objectiva”, ou mesmo estar codificados na constituição do cérebro humano.</p>
<p align="justify">Podemos aperceber-nos claramente desses arquétipos nos sonhos, nas artes, na literatura e no mito. Parecem-nos profundos, tocantes, universais e, por vezes, até mesmo aterrorizadores. Também podemos reconhecê-los ao contemplarmos as nossas vidas e as dos nossos amigos. Observando o que fazemos e como interpretamos o que fazemos, podemos identificar os arquétipos que orientam as nossas vidas.</p>
<p align="justify">Conhecemos a linguagem dos arquétipos porque eles vivem dentro de nós. Os povos antigos também conheciam essa linguagem. Para eles, os arquétipos eram os deuses e as deusas que se ocupavam de tudo nas suas vidas, do mais banal ao mais profundo. A psicologia arquetípica, em certo sentido, recupera as verdades de antigas teologias politeístas, que nos falam da natureza maravilhosamente múltipla da psique humana. Acontece que, mesmo quando essas divindades (ou arquétipos) são negados, a sua força não deixa de se fazer sentir dentro de nós.</p>
<p align="justify">Pelo contrário, recrudesce. Somos, então, possuídos pelos arquétipos e experimentamos a escravidão, e não a libertação, que eles nos oferecem. Devemos ter cuidado com o desprezo pelos deuses, pois, ironicamente, são exactamente as nossas tentativas de os negar e reprimir que provocam as suas manifestações destruidoras Os arquétipos são fundamentalmente amistosos. Podem ajudar-nos a evoluir, colectiva e individualmente. Se os respeitarmos, poderemos crescer.</p>
<p align="justify">Os heróis empreendem jornadas, enfrentam dragões e descobrem o tesouro do seu verdadeiro <em>Si Mesmo</em> [o nó mais íntimo da Consciência]. Embora possam sentir-se muito sós durante a busca, no final experimentam um sentimento de comunhão: consigo mesmos, com as outras pessoas e com a Terra. De cada vez que enfrentamos a morte em vida, deparamos com um dragão. Se escolhermos a vida em vez da não-vida, mergulhamos mais profundamente na descoberta de quem somos e derrotamos o dragão. Infundimos, assim, vida nova em nós mesmos e na nossa cultura. Mudamos o mundo.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi/">Os Arquétipos e a Evolução Humana</a></p>
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		<title>O Sábio</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Sábio]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson The Hero Within San Francisco, Harper &#38; Row, 1989 Excertos adaptados O Sábio Quando trilhamos o caminho do Sábio na nossa jornada, depois de começarmos a responsabilizar-nos pelas nossas vidas e pelas nossas acções no mundo, descobrimos que o Sábio não é um feiticeiro ou um mágico, que entoa um cântico ou prepara [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=87&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p align="center"><strong>O Sábio</strong></p>
<p align="justify">Quando trilhamos o caminho do Sábio na nossa jornada, depois de começarmos a responsabilizar-nos pelas nossas vidas e pelas nossas acções no mundo, descobrimos que o Sábio não é um feiticeiro ou um mágico, que entoa um cântico ou prepara uma infusão, através dos quais uma pessoa pode ser curada ou morta, e uma guerra pode ser ganha ou perdida. Esta é a concepção do Sábio segundo o ponto de vista do Órfão. Ao trilhar esse percurso, descobrimos que nós mesmos somos o Sábio. Os heróis passam a acreditar que o universo não é estático, e que se encontra num processo contínuo de criação. Todos nós estamos envolvidos nessa criação e, assim, todos somos Sábios.</p>
<p align="justify">Contudo, enquanto não abandonarmos a concepção do Órfão, segundo a qual o Sábio é alguém que faz magia ou exerce um poder maléfico capaz de matar os outros, não poderemos assumir a responsabilidade pela criação das nossas vidas. Enquanto lutarmos com questões de identidade e vocação, haverá sempre o perigo de usarmos o nosso poder de maneira destrutiva. Enquanto não solucionarmos as nossas questões de Guerreiro, correremos sempre o risco de utilizarmos o poder do Sábio para demonstrarmos a nossa superioridade ou tentarmos controlar as outras pessoas.</p>
<p align="justify">Enquanto Órfãos, Nómadas, Mártires e Guerreiros, forjamos as nossas identidades por oposição a um universo visto como hostil e perigoso. Enquanto Sábios, consideramos o universo como um lar afável e convidativo e assim recuperamos a inocência. Os Sábios percebem que uma nova forma de disciplina lhes é exigida, ou seja, que lhes é exigida clareza e força de vontade para agir sempre de acordo com seu o ser interior mais autêntico. Sabem que não são o centro do universo; contudo, esse conhecimento não os perturba. Sabem que são importantes, que as suas escolhas e actos individuais se unem para dar sentido ao universo e, tal como o Mártir, estão conscientes de que é apenas oferecendo o seu dom único ao universo que a verdadeira felicidade e auto-realização poderão ser alcançadas.</p>
<p align="justify">O Sábio compreende a graça. Não como uma ocorrência extraordinária, mas como uma forma de energia à nossa disposição. Há ocasiões em que as nossas energias declinam, em que as nossas capacidades falham, ou em que os meios normais e diários de solucionarmos os problemas se revelam ineficazes. Essas situações requerem uma capacidade de permanecer em equilíbrio com a fonte de energia última do universo. Os religiosos costumam chamar a isso “viver em harmonia com Deus”.</p>
<p align="justify">Os Sábios lutam para viver em harmonia com os mundos natural e sobrenatural, o que exige totalidade e equilíbrio interiores. Também pressupõe que os Sábios integrem as aprendizagens de todos os outros arquétipos. É fundamental que resolvam o dilema do Órfão, o que lhes permitirá confiarem num poder superior a si mesmos e submeterem-se a ele, afirmando: “Seja feita a Tua vontade.” É óbvio que os Sábios compreendem isto a um nível diferente do dos Órfãos. Estes supõem que fazer a vontade de Deus significa abandonar a sua própria vontade, porque não vêem esta como um comportamento egocêntrico, contrário ao plano divino. Por isso se sentem contrariados. Quando alcançamos um nível mais profundo de auto-conhecimento, tendo já solucionado muitas das questões do Nómada, tornamo-nos menos dualistas. Os Sábios transcendem as concepções dualistas e estáticas do bem e do mal e vêem a vida como um processo regido por Deus.</p>
<p align="justify">Quando impedimos alguma parte do nosso ser de crescer, essa parte manifesta-se como negatividade ou mesmo como mal. As pessoas que permanecem no início do estádio do Órfão, por exemplo, podem tornar-se criminosas ou vítimas, porque as suas qualidades positivas não encontraram formas de desenvolvimento. Ou, no caso do Guerreiro ou do Mártir, certas qualidades podem florescer em detrimento de outras, consideradas fracas ou egoístas, dando origem a personalidades desequilibradas e parciais.</p>
<p align="justify">Tendo estado longamente à mercê da sombra do puritanismo, a nossa cultura tem agora de lidar com a sombra da sexualidade. Daí que a sexualidade se manifeste sob formas pervertidas, embora extremamente poderosas. O sexo é usado na publicidade para vender um pouco de tudo, desde carros a ferramentas eficazes, seja por meios subliminares, seja através da exibição de mulheres seminuas colocadas junto ao objecto que se tenciona vender. Tal justaposição só tem um sentido lógico quando compreendemos que estamos a ser dominados pela nossa sexualidade reprimida. Nos filmes contemporâneos (e na vida contemporânea) a sexualidade é, regra geral, acompanhada de violência. Estupro, sedução violenta, abuso sexual de crianças, pornografia, sado-masoquismo, bem como a imagem mais subtil, embora ainda mais disseminada, de relacionamentos sexuais nos quais um parceiro (ou ambos) é transformado em objecto, todos atestam a realidade da possessão da nossa cultura pela Sombra.</p>
<p align="justify">Algumas pessoas com uma mentalidade de Guerreiro pressupõem que a resposta a este dilema será matar o dragão, ou seja, banir a sexualidade, interior e exterior. Mas isto implicaria ainda mais repressão, já que os monstros se tornariam maiores e a possessão mais acentuada. Quando o Guerreiro alcança uma compreensão mais profunda do seu arquétipo, aprende a enfrentar o dragão e a reconhecer que ele é perigoso – para ele e para os outros. Quando as pessoas integram a maior parte das suas sombras, despendem menos energia na repressão e na negação da sua realidade interna. Perdem menos tempo em batalhas inglórias, pois deixam de projectar com tanta frequência as suas sombras sobre os outros.</p>
<p align="justify">O Guerreiro acredita que precisamos de obrigar as pessoas a entrar num mundo novo, mas o Sábio sabe que só precisamos de ter mundos pelos quais optar. As pessoas são naturalmente atraídas por uma vida elevada e acabarão por gravitar até ela. Existem muito mais coisas à nossa disposição neste momento do que a maioria da humanidade jamais teve a oportunidade de usufruir. Quanto mais livres e criativas as pessoas se tornarem, mais oportunidades haverá à sua disposição.</p>
<p align="justify">Os Sábios não tentam forçar a mudança social, pois reconhecem que as pessoas precisam, antes de mais, de empreender as suas jornadas, para que possam viver num mundo efectivamente humanitário e pacífico. Por outro lado, reconhecem que muitas manifestações da nossa cultura retardam artificialmente as pessoas, mantendo-as desnecessariamente estacionárias. Actuam, então, como ímanes, que atraem e galvanizam a energia positiva necessária para a mudança. Podem fazê-lo identificando os aspectos que conduzem ao crescimento de indivíduos, instituições ou grupos sociais, para assim incrementarem esse mesmo crescimento.</p>
<p align="justify">Os Sábios conseguem infundir esperança nas outras pessoas, porque acreditam que é possível ter um mundo pacífico, humanitário, justo e zeloso: aprenderam a ser pacíficos, carinhosos, a respeitar os outros e a respeitar-se! Ademais, atraem aquilo que são e, por isso, também existem muitos aspectos das suas vidas que ilustram esse mesmo mundo.</p>
<p align="justify">Sabem que, quando abrimos os nossos corações, temos sempre amor suficiente. Que quando paramos de entesourar talentos, ideias, bens materiais, somos sempre prósperos. Que criamos a escassez através dos nossos medos, e que, quando oferecemos inteiramente os dons das nossas vidas ao universo e ao outro, encontramos o nosso verdadeiro trabalho, os nossos verdadeiros amores, e experimentamos a plenitude da nossa verdadeira natureza, que é sempre bondosa. Os Sábios acreditam que a vida pode ser alegria e abundância, a partir da experiência real das suas próprias vidas.</p>
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		<item>
		<title>Os Arquétipos e a Evolução Humana</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi/</link>
		<comments>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:33:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Órfão]]></category>
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		<category><![CDATA[o Herói]]></category>
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		<description><![CDATA[Carol Pearson The Hero Within San Francisco, Harper &#38; Row, 1989 Excertos adaptados Anterior: A Jornada do Herói &#160; Os Arquétipos e a Evolução Humana O Inocente e o Órfão dão início à acção. O Inocente vive no estado de graça anterior à queda; o Órfão enfrenta a realidade da queda. Os próximos estádios constituem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=86&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
Excertos adaptados</p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi-2/">A Jornada do Herói</a></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>Os Arquétipos e a Evolução Humana</strong></p>
<p align="justify">O Inocente e o Órfão dão início à acção. O Inocente vive no estado de graça anterior à queda; o Órfão enfrenta a realidade da queda. Os próximos estádios constituem estratégias para viver no mundo depois do pecado original: o Nómada inicia a tarefa de se perceber separado dos outros; o Guerreiro aprende a lutar para se defender e para mudar o mundo segundo a sua própria imagem; e o Mártir aprende a dar, a confiar e a sacrificar-se pelos outros. Assim, a progressão vai do sofrimento para a auto-definição, para a luta, para o amor.</p>
<p align="justify">Ao debruçar-me sobre os arquétipos, dei-me conta do ressurgimento de um arquétipo remoto, que está agora a ser redefinido como uma forma de heroísmo ao alcance de todos. Sob essa forma, o herói aparece como um Sábio. Quando aprende a mudar o seu próprio ambiente mediante uma rigorosa disciplina, força de vontade e esforço, o Sábio aprende a movimentar-se com a energia do universo, e a atrair aquilo de que precisa pelas leis da sincronicidade, de tal modo que a sua facilidade de interacção com o universo parece mágica. Ao aprender a confiar no <em>Si Mesmo</em>, o Sábio completa o ciclo.</p>
<p align="justify">Cada arquétipo representa uma visão do mundo, bem como diferentes objectivos de vida e teorias sobre aquilo que dá significado à nossa existência. Os Órfãos buscam segurança e temem a exploração e o abandono. Os Mártires querem ser bons e vêem a vida como um conflito entre o bem (cuidado e responsabilidade) e o mal (egoísmo e exploração). Os Nómadas querem a independência e temem o conformismo. Os Guerreiros lutam para ser fortes, para causar impacto no mundo, e evitam experimentar a incapacidade e a passividade. Os Sábios procuram ser fiéis à sabedoria interior e buscam o equilíbrio com as energias do universo. Tentam evitar o que não é autêntico, o que é superficial.</p>
<p align="justify">Ao nível do Sábio, as dualidades presentes nos outros arquétipos começam a desaparecer. O medo da dor e do sofrimento que o Órfão experimenta é visto como o lado menor de uma definição de segurança que pressupõe que a vida é apenas agradável e fácil. Os Sábios acreditam que estamos em segurança, mesmo quando experimentamos dor e sofrimento, já que segurança e insegurança fazem ambas parte da vida. Da mesma maneira, os Sábios consideram que a doação unilateral cria o egoísmo. A tarefa não consiste em cuidar dos outros, em vez de pensar em si, mas sim em aprender a amar e a cuidar de si mesmo e do nosso próximo.</p>
<p align="justify">Os Sábios vêem para além do binómio individualismo versus conformismo, e percebem que cada um de nós é único, ao mesmo tempo que todos formamos um único ser. Compreendem também que força e fraqueza são um ritmo de vida, e não uma dualidade. Cada arquétipo transporta-nos para lá da dualidade, conduz-nos de uma expressão primitiva a uma expressão mais requintada e complexa da nossa energia essencial.</p>
<p>Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-heroi/">O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sonharsimbolos.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sonharsimbolos.wordpress.com/86/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=86&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-heroi/</link>
		<comments>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-heroi/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:28:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Órfão]]></category>
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		<description><![CDATA[ Carol Pearson The Hero Within San Francisco, Harper &#38; Row, 1989 Excertos adaptados Anterior: A Jornada do Herói O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade Os arquétipos são formas heróicas evolutivas, mas não são vivenciadas de forma linear e progressiva. Eu ilustraria a progressão típica do herói como um cone ou espiral tridimensional no qual [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=85&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
Excertos adaptados</p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi/">A Jornada do Herói</a></p>
<p align="center"><strong>O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade</strong></p>
<p align="justify">Os arquétipos são formas heróicas evolutivas, mas não são vivenciadas de forma linear e progressiva. Eu ilustraria a progressão típica do herói como um cone ou espiral tridimensional no qual é possível avançar e retroceder frequentemente ao longo do círculo. Cada estádio tem a sua própria lição a ensinar, e reencontramos situações que nos lançam para estádios anteriores, a fim de que possamos aprender e reaprender as lições, em novos níveis de complexidade e subtileza intelectual e emocional. Nas nossas primeiras tentativas de Guerreiro, por exemplo, é natural que nos comportemos como Átila, o Huno; posteriormente, aprenderemos a exprimir os nossos desejos sem que daí advenha um conflito acentuado. A espiral não se torna mais elevada, mas torna-se mais ampla. À medida que conseguirmos dar respostas mais amplas à vida, teremos cada vez mais escolhas.</p>
<p align="justify">O Guerreiro e o Mártir são dois lados de uma concepção dualista da vida, segundo a qual ou se recebe ou se dá. Mas enquanto não pudermos fazer ambas as coisas, não seremos livres. As virtudes que o herói aprende em cada etapa nunca se perdem, mas também não são suplantadas – apenas se tornam mais subtis. Como Inocente, o herói aprende a confiar; como Órfão, aprende a chorar. Como Nómada, o herói aprende a encontrar a sua verdade e a dar-lhe um nome; como Guerreiro, aprende a afirmar essa verdade de modo que esta afecte e modifique o mundo; como Mártir aprende a amar, a comprometer-se e a renunciar.</p>
<p align="justify">Todas estas virtudes envolvem um certo grau de dor ou de luta. A virtude acrescentada pelo Sábio é a capacidade de reconhecer e receber a abundância do universo. O Sábio obtém aquilo que o Órfão anseia: o retorno ao paraíso perdido, primeiro a nível microcósmico, depois a um nível macrocósmico. Porém, em vez de o fazer de uma forma infantil e dependente, o Sábio entra no Jardim do Éden alicerçado na interdependência – com as outras pessoas, com a natureza e com Deus. A última lição a ser aprendida pelo herói é a felicidade.</p>
<p align="justify">Transportamos a lição de cada estádio para o estádio seguinte: o seu significado é transformado, mas a lição em si não se perde. Por exemplo, no primeiro nível do martírio, os heróis sacrificam-se para conquistar as graças dos deuses ou de alguma figura detentora de autoridade. Mais tarde, fazem-no simplesmente para ajudar os outros. Ao tornar-se Guerreiro, o herói transforma o sacrifício em disciplina; certas coisas são sacrificados para que outras possam ser alcançadas. Como Sábios, os heróis compreendem que o essencial jamais se perde: o sacrifício torna-se a renúncia natural e suave àquilo que é velho, e abre caminho para um novo crescimento, para uma nova vida.</p>
<p align="justify">Confiar em si e no seu processo de crescimento significa acreditar que a nossa tarefa consiste em sermos inteiramente nós mesmos e, assim, alcançarmos tudo aquilo de que realmente precisamos para o crescimento da nossa alma. Se estivermos demasiado apegados a um resultado qualquer, tentando fazer com que as coisas aconteçam da forma que desejamos e sofrendo com o insucesso da nossa tentativa, é a hora de cultivarmos a fé do Sábio no universo, no mistério, na capacidade de o desconhecido prover às necessidades de cada um. Reconheçamos que aquilo que queremos e que aquilo de que precisamos não são, regra geral, a mesma coisa. Confiemos no universo, em Deus ou no nosso Eu superior e deixemos que as coisas aconteçam.</p>
<p align="justify">Todos nós estamos tão acostumados a pensar linearmente que gostaria de relembrar que não é necessariamente melhor ser Sábio em vez de ser Órfão. Tanto o Sábio como o Guerreiro se arriscam a incorrer na vaidade quando, confrontados com um crescimento real de poder e de auto-confiança, se esquecem de que, em última análise, somos todos dependentes uns dos outros e da Terra para a nossa própria sobrevivência. Há pouco tempo estava a sentir-me particularmente orgulhosa das minhas realizações (Guerreiro) e da minha competência; no entanto, certa manhã acordei a perguntar-me: “Porquê eu?”, quando uma série de desafios, inconveniências e catástrofes me atingiram de uma só vez.</p>
<p align="justify">Experimentei todas as reacções clássicas do Órfão: arvorei-me em vítima, senti o desejo de ser salva, adoptei uma atitude de auto-censura, e tive o impulso de fazer dos outros bodes expiatórios. Esta situação, contudo, acabou por me advertir das minhas reais vulnerabilidade e interdependência, e fui forçada a pedir ajuda aos amigos, à família e aos colegas. Tenho tendência para sentir uma auto-confiança excessiva, e precisei da ajuda amorosa de todos para me convencer de que não estava sozinha.</p>
<p align="justify">Recentemente, partilhei esta situação com uma turma de alunos e apercebi-me de que muitos alunos queriam aceder ao estádio do Sábio, sem antes pagar tributo aos outros arquétipos. Não acredito que isso seja possível. Porém, caso aconteça, trata-se de uma situação que não poderá ser mantida por muito tempo. Temos de pagar o tributo de cada arquétipo, o que implica permanecer em cada estádio durante algum tempo.</p>
<p align="justify">As pessoas que precisam de ter poder sobre as demais para se sentirem seguras costumam temer a passagem dos outros para o reino do Sábio, porque os Sábios não podem ser controlados nem manipulados com facilidade. Esse poder deriva do medo da escassez, deriva do facto de acreditarmos de que não existe o suficiente para todos: é isso que nos leva a competir. Esse medo torna as pessoas dóceis, dependentes, conformistas, na esperança de permanecerem nas boas graças daqueles que detêm o poder, ou fá-las lutar por esse mesmo poder.</p>
<p align="justify">No país mais rico do mundo, a motivação das pessoas para trabalhar é o medo da pobreza. As pessoas são levadas a comprar este ou aquele produto para se sentirem amadas. Conforme explica Philip Slater na obra <em>The Pursuit of Loneliness</em>, no nosso sistema social, a publicidade acentua a crença cultural na escassez, criando em nós necessidades artificiais. Em vez de temerem a pobreza em si, as pessoas têm medo de não poderem adquirir um carro de topo de gama ou uns <em>jeans</em> de marca.</p>
<p align="justify">Os detentores do poder reforçam a ideia artificial da escassez, porque ela vende produtos e mantém a força de trabalho submissa. A maioria das pessoas não rejeita a convicção de que recursos e talentos são escassos, porque precisa de acreditar que o são. Todos nós temos de empreender jornadas arriscadas, e precisamos de acreditar que os nossos medos são reais. Se não sentirmos fome, carência, isolamento e desespero, como aprenderemos a enfrentar os nossos medos?</p>
<p align="justify">Não estaremos preparados para a abundância, para um universo seguro, enquanto não formos postos à prova – por nós mesmos – realizando as nossas jornadas. Não importa quantas pessoas nos amam, não importa quanta riqueza possamos ter à nossa disposição. Atrairemos sempre problemas e sentir-nos-emos sempre sozinhos e pobres, enquanto não estivermos prontos para dar e receber amor.</p>
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		<title>A Queda</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Órfão]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson The Hero Within San Francisco, Harper &#38; Row, 1989 &#38; Carol Pearson Awakening the Heroes Within New York, Harper Collins, 1991 Excertos adaptados Anterior: Do Inocente ao Órfão A Queda Muitas culturas possuem mitos que falam de uma era dourada, que entretanto desapareceu por culpa humana. A partir deste mito, surge a convicção [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&amp;blog=1652099&amp;post=83&amp;subd=sonharsimbolos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
&amp;<br />
Carol Pearson<br />
<em>Awakening the Heroes Within</em><br />
New York, Harper Collins, 1991<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/do-inocente-ao-orfao/">Do Inocente ao Órfão</a></p>
<p align="center"><strong>A Queda</strong></p>
<p align="justify">Muitas culturas possuem mitos que falam de uma era dourada, que entretanto desapareceu por culpa humana. A partir deste mito, surge a convicção de que é possível à humanidade reentrar no Paraíso, mas somente através do sofrimento e do sacrifício.</p>
<p align="justify">O mito da Queda possui elementos arquetípicos evidentes, pois não só existem versões deste mito na maioria das culturas e religiões, como, na nossa cultura, até mesmo os não praticantes do judaísmo ou do cristianismo experimentam algo de semelhante à Queda nas suas vidas. Para muitos, o mito surge sob a forma de uma desilusão com os pais. Os pais deveriam ser como a “árvore dadivosa”.</p>
<p align="justify">Se isso não ocorre, os filhos sentem-se ludibriados, como se o mundo não fosse como deveria ser. Os pais podem ter sido óptimos quando os filhos eram pequenos, mas estes acabam por descobrir que os seus pais não são perfeitos. De repente, aquelas pessoas que deveriam cuidar deles deixam de ser dignas de confiança.</p>
<p align="justify">A Queda assume também a forma de desilusão política, religiosa ou pessoal. Os Inocentes tornam-se Órfãos quando pensam que Deus está morto ou os abandonou, que o governo nem sempre é bom, que as leis nem sempre são justas, e que os tribunais não os protegem. Os homens tradicionalistas podem experimentar uma profunda desilusão ao descobrir que as mulheres têm desejos sexuais e ambições profissionais próprias.</p>
<p align="justify">As mulheres podem ficar igualmente desapontadas ao descobrir que os homens, para além de as não protegerem, promovem a opressão feminina e beneficiam dela. A desilusão surge quando percebemos que nem sempre – ou talvez nunca – o mundo é como nos ensinaram que deveria ser. Para alguns, talvez demasiados, a desilusão acontece ao descobrirem que a vida real não é como a vida retratada pela televisão.</p>
<p align="justify">O Órfão é um idealista desiludido, e quanto maiores os seus ideais acerca do mundo, pior lhe parece a realidade. O mundo é perigoso: vilões e ciladas estão por toda parte. As pessoas sentem-se como donzelas em perigo, obrigadas a enfrentar um ambiente hostil, sem poder nem capacidade adequados para lidar com ele. O mundo assemelha-se a um lugar onde as pessoas ou são vítimas ou são carrascos. Até mesmo o comportamento do vilão pode ser justificado pelo Órfão como um comportamento realista, já que se deve “fazer aos outros, antes que eles o façam a nós”. A emoção dominante nessa visão do mundo é o medo, e a sua motivação básica é a sobrevivência.</p>
<p align="justify">Esse estádio é tão doloroso que, frequentemente, as pessoas recorrem a válvulas de escape, servindo-se de “narcóticos” diversos: drogas, álcool, trabalho, consumismo, comportamentos sexuais aviltantes. Ou então podem utilizar os relacionamentos, o trabalho e/ou a religião, como forma de amortecer a dor e obter uma falsa sensação de segurança.</p>
<p align="justify">Ironicamente, esses vícios têm o efeito colateral de aumentar a nossa sensação de impotência, a nossa negatividade e, até mesmo, no caso das drogas e do álcool, favorecer a desconfiança e a paranóia.</p>
<p align="justify">Essas válvulas de escape são defendidas por aqueles que a elas recorrem como as únicas estratégias razoáveis para se suportar a condição humana: “Claro que bebo/Claro que tomo alguns comprimidos. A vida é dura. De que outra maneira conseguiria aguentar?” Estas pessoas não consideram que seja muito realista esperar mais da vida. Podem também queixar-se de que o trabalho é enfadonho. “Detesto o meu trabalho, mas tenho de alimentar as crianças. É assim a vida.”</p>
<p align="justify">Nos relacionamentos amorosos, uma mulher parte simplesmente do princípio de que os homens “não são correctos” e pode continuar numa relação onde é emocional, ou até mesmo fisicamente maltratada, porque “Ele é melhor do que a maioria dos homens.” Um homem pode reclamar que a esposa o enerva, mas encolhe os ombros e diz: “As mulheres são assim mesmo.”</p>
<p align="justify">A história dos Órfãos fala de impotência, de anseio pelo estado primordial de inocência, no qual todas as necessidades são satisfeitas por uma figura materna ou paterna amorosa. A história dos Órfãos fala da busca de pessoas que cuidem deles, da renúncia à autonomia e à independência, a fim de assegurar esse cuidado. Certas pessoas procuram um Grande Pai; alguns homens procuram a “fada do lar”, as mulheres que lhes oferecerão um santuário, protegendo-os deste mundo cruel; muitos procuram o grande líder político, o movimento, a causa, ou o negócio de um milhão de dólares que será a solução de tudo. A história do Órfão fala também da tentativa de ser o pai amoroso – para os amantes, os filhos, os clientes ou o eleitorado – tudo para provar que essa segurança pode existir, ou que efectivamente existe. Depois da Queda sobrevêm a longa e, às vezes, lenta escalada de volta, a aprendizagem da auto- confiança e da esperança. A tarefa última do Órfão consiste em adquirir autoconfiança.</p>
<p align="justify">Na origem de tudo isto encontra-se o medo que o Órfão sente da impotência e do abandono, medo esse tão profundo e inconsciente que não costuma ser experimentado directamente. A sua emoção mais visível é a raiva, quer esta esteja voltada para dentro, na convicção de que a Queda é, de alguma maneira, culpa nossa, quer esta esteja voltada para fora: para Deus, para o universo, para os pais, para as instituições.</p>
<p align="justify">Os Órfãos transmitem a mensagem: “Eu não sei cuidar de mim.” Durante a nossa juventude, em situações novas e desconhecidas e nas áreas da nossa personalidade menos desenvolvidas, somos todos Órfãos e, por conseguinte, dependentes dos outros. No desenvolvimento humano normal e saudável, a fase do Órfão é branda. A desilusão com os pais, com as instituições e com a autoridade motiva-nos a deixar a dependência e a empreender as nossas próprias jornadas em busca de novas respostas. O que pode ser simples no final da adolescência – matricular-se na faculdade, sair de casa e arranjar um emprego– pode, mais tarde, assumir a forma mais difícil de uma mudança de emprego, do fim de uma relação, ou da desilusão com determinado partido político, grupo religioso ou filosofia de vida, o que nos obrigará a buscar novas respostas.</p>
<p>Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-ajuda/">A Ajuda</a></p>
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