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	<title>Simbolismo dos sonhos</title>
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		<title>Simbolismo dos sonhos</title>
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		<title>O lugar do mito na vida moderna &#8211; James Hollis</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 21:28:15 +0000</pubDate>
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Rastreando os Deuses. O lugar do mito na vida moderna
Dizem que, em média, gastamos seis anos de nossa vida sonhando. Essa façanha prodigiosa faz parte do intento teleológico da psique. Os sonhos são a rota íntima de saída da alma e constituem o processo gerador de mitos em cada pessoa. A rica tessitura de detalhes, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=98&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3 style="text-align:center;">
Rastreando os Deuses. O lugar do mito na vida moderna</h3>
<p align="justify">Dizem que, em média, gastamos seis anos de nossa vida sonhando. Essa façanha prodigiosa faz parte do intento teleológico da psique. Os sonhos são a rota íntima de saída da alma e constituem o processo gerador de mitos em cada pessoa. A rica tessitura de detalhes, a “transgressão” da lei de tempo e espaço vigente na vigília, o poder de síntese de novas combinações, as abundantes alusões a experiências anteriores, são todos aspectos conhecidos do estudioso de sonhos. Sempre misterioso e ineditamente surpreendente, em geral enigmático, trabalhar com sonhos vincula-nos de modo irremediável com o mistério. Se temos condições de acompanhar os sonhos durante certo período, eles efectivamente indicam movimentos, mostram, sem sombra de dúvida, como a pessoa está a trabalhar com as suas questões pessoais e resolvê-las. A soma desses sonhos constitui um épico heróico no mínimo tão extraordinário quanto os produzidos por Homero ou Dante. A descida ao mundo inferior está aí, os monstros temíveis, o imenso cartel de personagens, as batalhas titânicas – ou seja, o próprio conteúdo dos mitos.</p>
<p align="justify">As descobertas de Freud apresentadas na sua obra <em>Interpretação dos sonhos</em> são úteis quando se considera a natureza do trabalho mítico. Nos sonhos, o inconsciente condensa eventos aparentemente aleatórios numa epifania concisa e de sentido íntimo. O inconsciente fala por meio de imagens afectivamente carregadas e não através de conteúdos cognitivos. Essas imagens corporificam o significado nas metáforas e nos símbolos.</p>
<p align="justify">Às descrições freudianas do trabalho com os sonhos, Jung acrescentou a ideia do inconsciente colectivo, no qual as imagens são comuns não só à vida de cada um, mas também à do universo. Ele também percebeu que os sonhos não eram só desejos indirectamente satisfeitos, mas, muitas vezes, comentários espontâneos do Si-Mesmo a respeito da vida do sonhador. De acordo com Jung, os sonhos podem ser não só teleológicos, promovendo as metas da consciência e da completude, mas também estão em busca de compensações para as unilateralidades das adaptações conscientes. Dessa maneira, são dotados de propósito e capazes de efectuar correcções, desde que, é óbvio, a pessoa possa assimilar conscientemente a mensagem.</p>
<p align="justify">Na mesma medida que a psique é atemporal e abarca todas as coisas humanas, devemos reconhecer e admitir que as vidas que construímos são parciais, contidas pelo tempo e fragmentárias. Se pendemos à direita, privilegiando as escolhas conscientes, a psique arrasta-nos para a esquerda a fim de nos centrar. Os sonhos, por conseguinte, confrontam-nos com nossas vidas não-vividas, não com o que somos, mas com o que poderíamos tornar-nos; não com o que fizemos, mas com o que não conseguimos realizar. Quando discernimos a natureza e o motivo do trabalho onírico, podemos, igualmente, perceber o mesmo processo em funcionamento no trabalho mítico. Já se disse que o sonho é a mitologia da pessoa e que o mito é o sonho de uma tribo. Ambos se originam espontaneamente nas profundezas e confirmam as actividades de auto-regulação do psiquismo. Da mesma forma que os sonhos fazem parte do correctivo teleológico exercido pela psique individual, dando continuidade à misteriosa missão da natureza no íntimo de cada um de nós, também os mitos, procedendo das mesmas camadas abissais, contêm o correctivo teleológico da alma.</p>
<p align="justify"> </p>
<p style="text-align:right;">James Hollis<br />
<em>Rastreando os Deuses. O lugar do mito na vida moderna</em><br />
Paulus, São Paulo, 1999</p>
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		<title>A Jornada do Herói</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Nov 2007 09:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[dragão/dragões]]></category>
		<category><![CDATA[o Herói]]></category>
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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
Excertos adaptados
A Jornada do Herói
Foi a preocupação com a possibilidade de não conseguirmos solucionar os grandes problemas políticos, sociais e filosóficos do nosso tempo, caso muitos de nós persistíssemos em ver o herói como algo de exterior a nós mesmos, que me inspirou a escrever The Hero [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=92&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
Excertos adaptados</p>
<p align="center"><strong>A Jornada do Herói</strong></p>
<p align="justify">Foi a preocupação com a possibilidade de não conseguirmos solucionar os grandes problemas políticos, sociais e filosóficos do nosso tempo, caso muitos de nós persistíssemos em ver o herói como algo de exterior a nós mesmos, que me inspirou a escrever <em>The Hero Within</em>. O livro pretende ser um convite a empreender a jornada e desafiar os leitores a reivindicarem o seu próprio heroísmo. Esta jornada não implica tornar-se maior, melhor, ou mais importante do que qualquer outra pessoa. Todos somos importantes. Todos temos uma contribuição fundamental a dar, o que só podemos fazer assumindo o risco de sermos nós mesmos e únicos.</p>
<p align="justify">Sabemos que, sob a busca frenética de dinheiro, estatuto, poder e prazer, bem como sob as atitudes obsessivas e viciadas habituais nos dias de hoje, existe uma sensação de vazio e uma ânsia de ir mais fundo, comum a todos os seres humanos. Ao escrever <em>The Hero Within</em>, pareceu-me que todos nós precisamos de encontrar, se não o “sentido da vida”, pelo menos o sentido das nossas próprias vidas individuais, para que possamos descobrir formas de viver e de ser fecundas, efectivas e autênticas.</p>
<p align="justify">Todos os mitos do herói, culturais ou individuais, mostram-nos os atributos que são considerados como definidores do bem, do belo e da verdade, e assim transmitem-nos as aspirações que são valorizadas culturalmente. Muitas dessas histórias são arquetípicas. Os arquétipos, como postulava Carl Jung, são padrões permanentes e profundos da psique humana, que se mantêm poderosos e actuantes ao longo do tempo. Para empregar a terminologia junguiana, tais padrões podem existir no “inconsciente colectivo”, na “psique objectiva”, ou mesmo estar codificados na constituição do cérebro humano.</p>
<p align="justify">Podemos aperceber-nos claramente desses arquétipos nos sonhos, nas artes, na literatura e no mito. Parecem-nos profundos, tocantes, universais e, por vezes, até mesmo aterrorizadores. Também podemos reconhecê-los ao contemplarmos as nossas vidas e as dos nossos amigos. Observando o que fazemos e como interpretamos o que fazemos, podemos identificar os arquétipos que orientam as nossas vidas.</p>
<p align="justify">Conhecemos a linguagem dos arquétipos porque eles vivem dentro de nós. Os povos antigos também conheciam essa linguagem. Para eles, os arquétipos eram os deuses e as deusas que se ocupavam de tudo nas suas vidas, do mais banal ao mais profundo. A psicologia arquetípica, em certo sentido, recupera as verdades de antigas teologias politeístas, que nos falam da natureza maravilhosamente múltipla da psique humana. Acontece que, mesmo quando essas divindades (ou arquétipos) são negados, a sua força não deixa de se fazer sentir dentro de nós.</p>
<p align="justify">Pelo contrário, recrudesce. Somos, então, possuídos pelos arquétipos e experimentamos a escravidão, e não a libertação, que eles nos oferecem. Devemos ter cuidado com o desprezo pelos deuses, pois, ironicamente, são exactamente as nossas tentativas de os negar e reprimir que provocam as suas manifestações destruidoras Os arquétipos são fundamentalmente amistosos. Podem ajudar-nos a evoluir, colectiva e individualmente. Se os respeitarmos, poderemos crescer.</p>
<p align="justify">Os heróis empreendem jornadas, enfrentam dragões e descobrem o tesouro do seu verdadeiro <em>Si Mesmo</em> [o nó mais íntimo da Consciência]. Embora possam sentir-se muito sós durante a busca, no final experimentam um sentimento de comunhão: consigo mesmos, com as outras pessoas e com a Terra. De cada vez que enfrentamos a morte em vida, deparamos com um dragão. Se escolhermos a vida em vez da não-vida, mergulhamos mais profundamente na descoberta de quem somos e derrotamos o dragão. Infundimos, assim, vida nova em nós mesmos e na nossa cultura. Mudamos o mundo.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi/">Os Arquétipos e a Evolução Humana</a></p>
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		<item>
		<title>O Sábio</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Sábio]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
Excertos adaptados
O Sábio
Quando trilhamos o caminho do Sábio na nossa jornada, depois de começarmos a responsabilizar-nos pelas nossas vidas e pelas nossas acções no mundo, descobrimos que o Sábio não é um feiticeiro ou um mágico, que entoa um cântico ou prepara uma infusão, através dos quais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=87&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p align="center"><strong>O Sábio</strong></p>
<p align="justify">Quando trilhamos o caminho do Sábio na nossa jornada, depois de começarmos a responsabilizar-nos pelas nossas vidas e pelas nossas acções no mundo, descobrimos que o Sábio não é um feiticeiro ou um mágico, que entoa um cântico ou prepara uma infusão, através dos quais uma pessoa pode ser curada ou morta, e uma guerra pode ser ganha ou perdida. Esta é a concepção do Sábio segundo o ponto de vista do Órfão. Ao trilhar esse percurso, descobrimos que nós mesmos somos o Sábio. Os heróis passam a acreditar que o universo não é estático, e que se encontra num processo contínuo de criação. Todos nós estamos envolvidos nessa criação e, assim, todos somos Sábios.</p>
<p align="justify">Contudo, enquanto não abandonarmos a concepção do Órfão, segundo a qual o Sábio é alguém que faz magia ou exerce um poder maléfico capaz de matar os outros, não poderemos assumir a responsabilidade pela criação das nossas vidas. Enquanto lutarmos com questões de identidade e vocação, haverá sempre o perigo de usarmos o nosso poder de maneira destrutiva. Enquanto não solucionarmos as nossas questões de Guerreiro, correremos sempre o risco de utilizarmos o poder do Sábio para demonstrarmos a nossa superioridade ou tentarmos controlar as outras pessoas.</p>
<p align="justify">Enquanto Órfãos, Nómadas, Mártires e Guerreiros, forjamos as nossas identidades por oposição a um universo visto como hostil e perigoso. Enquanto Sábios, consideramos o universo como um lar afável e convidativo e assim recuperamos a inocência. Os Sábios percebem que uma nova forma de disciplina lhes é exigida, ou seja, que lhes é exigida clareza e força de vontade para agir sempre de acordo com seu o ser interior mais autêntico. Sabem que não são o centro do universo; contudo, esse conhecimento não os perturba. Sabem que são importantes, que as suas escolhas e actos individuais se unem para dar sentido ao universo e, tal como o Mártir, estão conscientes de que é apenas oferecendo o seu dom único ao universo que a verdadeira felicidade e auto-realização poderão ser alcançadas.</p>
<p align="justify">O Sábio compreende a graça. Não como uma ocorrência extraordinária, mas como uma forma de energia à nossa disposição. Há ocasiões em que as nossas energias declinam, em que as nossas capacidades falham, ou em que os meios normais e diários de solucionarmos os problemas se revelam ineficazes. Essas situações requerem uma capacidade de permanecer em equilíbrio com a fonte de energia última do universo. Os religiosos costumam chamar a isso “viver em harmonia com Deus”.</p>
<p align="justify">Os Sábios lutam para viver em harmonia com os mundos natural e sobrenatural, o que exige totalidade e equilíbrio interiores. Também pressupõe que os Sábios integrem as aprendizagens de todos os outros arquétipos. É fundamental que resolvam o dilema do Órfão, o que lhes permitirá confiarem num poder superior a si mesmos e submeterem-se a ele, afirmando: “Seja feita a Tua vontade.” É óbvio que os Sábios compreendem isto a um nível diferente do dos Órfãos. Estes supõem que fazer a vontade de Deus significa abandonar a sua própria vontade, porque não vêem esta como um comportamento egocêntrico, contrário ao plano divino. Por isso se sentem contrariados. Quando alcançamos um nível mais profundo de auto-conhecimento, tendo já solucionado muitas das questões do Nómada, tornamo-nos menos dualistas. Os Sábios transcendem as concepções dualistas e estáticas do bem e do mal e vêem a vida como um processo regido por Deus.</p>
<p align="justify">Quando impedimos alguma parte do nosso ser de crescer, essa parte manifesta-se como negatividade ou mesmo como mal. As pessoas que permanecem no início do estádio do Órfão, por exemplo, podem tornar-se criminosas ou vítimas, porque as suas qualidades positivas não encontraram formas de desenvolvimento. Ou, no caso do Guerreiro ou do Mártir, certas qualidades podem florescer em detrimento de outras, consideradas fracas ou egoístas, dando origem a personalidades desequilibradas e parciais.</p>
<p align="justify">Tendo estado longamente à mercê da sombra do puritanismo, a nossa cultura tem agora de lidar com a sombra da sexualidade. Daí que a sexualidade se manifeste sob formas pervertidas, embora extremamente poderosas. O sexo é usado na publicidade para vender um pouco de tudo, desde carros a ferramentas eficazes, seja por meios subliminares, seja através da exibição de mulheres seminuas colocadas junto ao objecto que se tenciona vender. Tal justaposição só tem um sentido lógico quando compreendemos que estamos a ser dominados pela nossa sexualidade reprimida. Nos filmes contemporâneos (e na vida contemporânea) a sexualidade é, regra geral, acompanhada de violência. Estupro, sedução violenta, abuso sexual de crianças, pornografia, sado-masoquismo, bem como a imagem mais subtil, embora ainda mais disseminada, de relacionamentos sexuais nos quais um parceiro (ou ambos) é transformado em objecto, todos atestam a realidade da possessão da nossa cultura pela Sombra.</p>
<p align="justify">Algumas pessoas com uma mentalidade de Guerreiro pressupõem que a resposta a este dilema será matar o dragão, ou seja, banir a sexualidade, interior e exterior. Mas isto implicaria ainda mais repressão, já que os monstros se tornariam maiores e a possessão mais acentuada. Quando o Guerreiro alcança uma compreensão mais profunda do seu arquétipo, aprende a enfrentar o dragão e a reconhecer que ele é perigoso – para ele e para os outros. Quando as pessoas integram a maior parte das suas sombras, despendem menos energia na repressão e na negação da sua realidade interna. Perdem menos tempo em batalhas inglórias, pois deixam de projectar com tanta frequência as suas sombras sobre os outros.</p>
<p align="justify">O Guerreiro acredita que precisamos de obrigar as pessoas a entrar num mundo novo, mas o Sábio sabe que só precisamos de ter mundos pelos quais optar. As pessoas são naturalmente atraídas por uma vida elevada e acabarão por gravitar até ela. Existem muito mais coisas à nossa disposição neste momento do que a maioria da humanidade jamais teve a oportunidade de usufruir. Quanto mais livres e criativas as pessoas se tornarem, mais oportunidades haverá à sua disposição.</p>
<p align="justify">Os Sábios não tentam forçar a mudança social, pois reconhecem que as pessoas precisam, antes de mais, de empreender as suas jornadas, para que possam viver num mundo efectivamente humanitário e pacífico. Por outro lado, reconhecem que muitas manifestações da nossa cultura retardam artificialmente as pessoas, mantendo-as desnecessariamente estacionárias. Actuam, então, como ímanes, que atraem e galvanizam a energia positiva necessária para a mudança. Podem fazê-lo identificando os aspectos que conduzem ao crescimento de indivíduos, instituições ou grupos sociais, para assim incrementarem esse mesmo crescimento.</p>
<p align="justify">Os Sábios conseguem infundir esperança nas outras pessoas, porque acreditam que é possível ter um mundo pacífico, humanitário, justo e zeloso: aprenderam a ser pacíficos, carinhosos, a respeitar os outros e a respeitar-se! Ademais, atraem aquilo que são e, por isso, também existem muitos aspectos das suas vidas que ilustram esse mesmo mundo.</p>
<p align="justify">Sabem que, quando abrimos os nossos corações, temos sempre amor suficiente. Que quando paramos de entesourar talentos, ideias, bens materiais, somos sempre prósperos. Que criamos a escassez através dos nossos medos, e que, quando oferecemos inteiramente os dons das nossas vidas ao universo e ao outro, encontramos o nosso verdadeiro trabalho, os nossos verdadeiros amores, e experimentamos a plenitude da nossa verdadeira natureza, que é sempre bondosa. Os Sábios acreditam que a vida pode ser alegria e abundância, a partir da experiência real das suas próprias vidas.</p>
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		<title>Os Arquétipos e a Evolução Humana</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:33:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
Excertos adaptados
Anterior: A Jornada do Herói
&#160;
Os Arquétipos e a Evolução Humana
O Inocente e o Órfão dão início à acção. O Inocente vive no estado de graça anterior à queda; o Órfão enfrenta a realidade da queda. Os próximos estádios constituem estratégias para viver no mundo depois do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=86&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
Excertos adaptados</p>
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<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>Os Arquétipos e a Evolução Humana</strong></p>
<p align="justify">O Inocente e o Órfão dão início à acção. O Inocente vive no estado de graça anterior à queda; o Órfão enfrenta a realidade da queda. Os próximos estádios constituem estratégias para viver no mundo depois do pecado original: o Nómada inicia a tarefa de se perceber separado dos outros; o Guerreiro aprende a lutar para se defender e para mudar o mundo segundo a sua própria imagem; e o Mártir aprende a dar, a confiar e a sacrificar-se pelos outros. Assim, a progressão vai do sofrimento para a auto-definição, para a luta, para o amor.</p>
<p align="justify">Ao debruçar-me sobre os arquétipos, dei-me conta do ressurgimento de um arquétipo remoto, que está agora a ser redefinido como uma forma de heroísmo ao alcance de todos. Sob essa forma, o herói aparece como um Sábio. Quando aprende a mudar o seu próprio ambiente mediante uma rigorosa disciplina, força de vontade e esforço, o Sábio aprende a movimentar-se com a energia do universo, e a atrair aquilo de que precisa pelas leis da sincronicidade, de tal modo que a sua facilidade de interacção com o universo parece mágica. Ao aprender a confiar no <em>Si Mesmo</em>, o Sábio completa o ciclo.</p>
<p align="justify">Cada arquétipo representa uma visão do mundo, bem como diferentes objectivos de vida e teorias sobre aquilo que dá significado à nossa existência. Os Órfãos buscam segurança e temem a exploração e o abandono. Os Mártires querem ser bons e vêem a vida como um conflito entre o bem (cuidado e responsabilidade) e o mal (egoísmo e exploração). Os Nómadas querem a independência e temem o conformismo. Os Guerreiros lutam para ser fortes, para causar impacto no mundo, e evitam experimentar a incapacidade e a passividade. Os Sábios procuram ser fiéis à sabedoria interior e buscam o equilíbrio com as energias do universo. Tentam evitar o que não é autêntico, o que é superficial.</p>
<p align="justify">Ao nível do Sábio, as dualidades presentes nos outros arquétipos começam a desaparecer. O medo da dor e do sofrimento que o Órfão experimenta é visto como o lado menor de uma definição de segurança que pressupõe que a vida é apenas agradável e fácil. Os Sábios acreditam que estamos em segurança, mesmo quando experimentamos dor e sofrimento, já que segurança e insegurança fazem ambas parte da vida. Da mesma maneira, os Sábios consideram que a doação unilateral cria o egoísmo. A tarefa não consiste em cuidar dos outros, em vez de pensar em si, mas sim em aprender a amar e a cuidar de si mesmo e do nosso próximo.</p>
<p align="justify">Os Sábios vêem para além do binómio individualismo versus conformismo, e percebem que cada um de nós é único, ao mesmo tempo que todos formamos um único ser. Compreendem também que força e fraqueza são um ritmo de vida, e não uma dualidade. Cada arquétipo transporta-nos para lá da dualidade, conduz-nos de uma expressão primitiva a uma expressão mais requintada e complexa da nossa energia essencial.</p>
<p>Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-heroi/">O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade</a></p>
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		<title>O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:28:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
Excertos adaptados
Anterior: A Jornada do Herói
O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade
Os arquétipos são formas heróicas evolutivas, mas não são vivenciadas de forma linear e progressiva. Eu ilustraria a progressão típica do herói como um cone ou espiral tridimensional no qual é possível avançar e retroceder frequentemente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=85&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p> Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
Excertos adaptados</p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-jornada-do-heroi/">A Jornada do Herói</a></p>
<p align="center"><strong>O Crescimento como Espiral rumo à Totalidade</strong></p>
<p align="justify">Os arquétipos são formas heróicas evolutivas, mas não são vivenciadas de forma linear e progressiva. Eu ilustraria a progressão típica do herói como um cone ou espiral tridimensional no qual é possível avançar e retroceder frequentemente ao longo do círculo. Cada estádio tem a sua própria lição a ensinar, e reencontramos situações que nos lançam para estádios anteriores, a fim de que possamos aprender e reaprender as lições, em novos níveis de complexidade e subtileza intelectual e emocional. Nas nossas primeiras tentativas de Guerreiro, por exemplo, é natural que nos comportemos como Átila, o Huno; posteriormente, aprenderemos a exprimir os nossos desejos sem que daí advenha um conflito acentuado. A espiral não se torna mais elevada, mas torna-se mais ampla. À medida que conseguirmos dar respostas mais amplas à vida, teremos cada vez mais escolhas.</p>
<p align="justify">O Guerreiro e o Mártir são dois lados de uma concepção dualista da vida, segundo a qual ou se recebe ou se dá. Mas enquanto não pudermos fazer ambas as coisas, não seremos livres. As virtudes que o herói aprende em cada etapa nunca se perdem, mas também não são suplantadas – apenas se tornam mais subtis. Como Inocente, o herói aprende a confiar; como Órfão, aprende a chorar. Como Nómada, o herói aprende a encontrar a sua verdade e a dar-lhe um nome; como Guerreiro, aprende a afirmar essa verdade de modo que esta afecte e modifique o mundo; como Mártir aprende a amar, a comprometer-se e a renunciar.</p>
<p align="justify">Todas estas virtudes envolvem um certo grau de dor ou de luta. A virtude acrescentada pelo Sábio é a capacidade de reconhecer e receber a abundância do universo. O Sábio obtém aquilo que o Órfão anseia: o retorno ao paraíso perdido, primeiro a nível microcósmico, depois a um nível macrocósmico. Porém, em vez de o fazer de uma forma infantil e dependente, o Sábio entra no Jardim do Éden alicerçado na interdependência – com as outras pessoas, com a natureza e com Deus. A última lição a ser aprendida pelo herói é a felicidade.</p>
<p align="justify">Transportamos a lição de cada estádio para o estádio seguinte: o seu significado é transformado, mas a lição em si não se perde. Por exemplo, no primeiro nível do martírio, os heróis sacrificam-se para conquistar as graças dos deuses ou de alguma figura detentora de autoridade. Mais tarde, fazem-no simplesmente para ajudar os outros. Ao tornar-se Guerreiro, o herói transforma o sacrifício em disciplina; certas coisas são sacrificados para que outras possam ser alcançadas. Como Sábios, os heróis compreendem que o essencial jamais se perde: o sacrifício torna-se a renúncia natural e suave àquilo que é velho, e abre caminho para um novo crescimento, para uma nova vida.</p>
<p align="justify">Confiar em si e no seu processo de crescimento significa acreditar que a nossa tarefa consiste em sermos inteiramente nós mesmos e, assim, alcançarmos tudo aquilo de que realmente precisamos para o crescimento da nossa alma. Se estivermos demasiado apegados a um resultado qualquer, tentando fazer com que as coisas aconteçam da forma que desejamos e sofrendo com o insucesso da nossa tentativa, é a hora de cultivarmos a fé do Sábio no universo, no mistério, na capacidade de o desconhecido prover às necessidades de cada um. Reconheçamos que aquilo que queremos e que aquilo de que precisamos não são, regra geral, a mesma coisa. Confiemos no universo, em Deus ou no nosso Eu superior e deixemos que as coisas aconteçam.</p>
<p align="justify">Todos nós estamos tão acostumados a pensar linearmente que gostaria de relembrar que não é necessariamente melhor ser Sábio em vez de ser Órfão. Tanto o Sábio como o Guerreiro se arriscam a incorrer na vaidade quando, confrontados com um crescimento real de poder e de auto-confiança, se esquecem de que, em última análise, somos todos dependentes uns dos outros e da Terra para a nossa própria sobrevivência. Há pouco tempo estava a sentir-me particularmente orgulhosa das minhas realizações (Guerreiro) e da minha competência; no entanto, certa manhã acordei a perguntar-me: “Porquê eu?”, quando uma série de desafios, inconveniências e catástrofes me atingiram de uma só vez.</p>
<p align="justify">Experimentei todas as reacções clássicas do Órfão: arvorei-me em vítima, senti o desejo de ser salva, adoptei uma atitude de auto-censura, e tive o impulso de fazer dos outros bodes expiatórios. Esta situação, contudo, acabou por me advertir das minhas reais vulnerabilidade e interdependência, e fui forçada a pedir ajuda aos amigos, à família e aos colegas. Tenho tendência para sentir uma auto-confiança excessiva, e precisei da ajuda amorosa de todos para me convencer de que não estava sozinha.</p>
<p align="justify">Recentemente, partilhei esta situação com uma turma de alunos e apercebi-me de que muitos alunos queriam aceder ao estádio do Sábio, sem antes pagar tributo aos outros arquétipos. Não acredito que isso seja possível. Porém, caso aconteça, trata-se de uma situação que não poderá ser mantida por muito tempo. Temos de pagar o tributo de cada arquétipo, o que implica permanecer em cada estádio durante algum tempo.</p>
<p align="justify">As pessoas que precisam de ter poder sobre as demais para se sentirem seguras costumam temer a passagem dos outros para o reino do Sábio, porque os Sábios não podem ser controlados nem manipulados com facilidade. Esse poder deriva do medo da escassez, deriva do facto de acreditarmos de que não existe o suficiente para todos: é isso que nos leva a competir. Esse medo torna as pessoas dóceis, dependentes, conformistas, na esperança de permanecerem nas boas graças daqueles que detêm o poder, ou fá-las lutar por esse mesmo poder.</p>
<p align="justify">No país mais rico do mundo, a motivação das pessoas para trabalhar é o medo da pobreza. As pessoas são levadas a comprar este ou aquele produto para se sentirem amadas. Conforme explica Philip Slater na obra <em>The Pursuit of Loneliness</em>, no nosso sistema social, a publicidade acentua a crença cultural na escassez, criando em nós necessidades artificiais. Em vez de temerem a pobreza em si, as pessoas têm medo de não poderem adquirir um carro de topo de gama ou uns <em>jeans</em> de marca.</p>
<p align="justify">Os detentores do poder reforçam a ideia artificial da escassez, porque ela vende produtos e mantém a força de trabalho submissa. A maioria das pessoas não rejeita a convicção de que recursos e talentos são escassos, porque precisa de acreditar que o são. Todos nós temos de empreender jornadas arriscadas, e precisamos de acreditar que os nossos medos são reais. Se não sentirmos fome, carência, isolamento e desespero, como aprenderemos a enfrentar os nossos medos?</p>
<p align="justify">Não estaremos preparados para a abundância, para um universo seguro, enquanto não formos postos à prova – por nós mesmos – realizando as nossas jornadas. Não importa quantas pessoas nos amam, não importa quanta riqueza possamos ter à nossa disposição. Atrairemos sempre problemas e sentir-nos-emos sempre sozinhos e pobres, enquanto não estivermos prontos para dar e receber amor.</p>
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		<title>A Queda</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Órfão]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
&#38;
Carol Pearson
Awakening the Heroes Within
New York, Harper Collins, 1991
Excertos adaptados
Anterior: Do Inocente ao Órfão
A Queda
Muitas culturas possuem mitos que falam de uma era dourada, que entretanto desapareceu por culpa humana. A partir deste mito, surge a convicção de que é possível à humanidade reentrar no Paraíso, mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=83&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
&amp;<br />
Carol Pearson<br />
<em>Awakening the Heroes Within</em><br />
New York, Harper Collins, 1991<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/do-inocente-ao-orfao/">Do Inocente ao Órfão</a></p>
<p align="center"><strong>A Queda</strong></p>
<p align="justify">Muitas culturas possuem mitos que falam de uma era dourada, que entretanto desapareceu por culpa humana. A partir deste mito, surge a convicção de que é possível à humanidade reentrar no Paraíso, mas somente através do sofrimento e do sacrifício.</p>
<p align="justify">O mito da Queda possui elementos arquetípicos evidentes, pois não só existem versões deste mito na maioria das culturas e religiões, como, na nossa cultura, até mesmo os não praticantes do judaísmo ou do cristianismo experimentam algo de semelhante à Queda nas suas vidas. Para muitos, o mito surge sob a forma de uma desilusão com os pais. Os pais deveriam ser como a “árvore dadivosa”.</p>
<p align="justify">Se isso não ocorre, os filhos sentem-se ludibriados, como se o mundo não fosse como deveria ser. Os pais podem ter sido óptimos quando os filhos eram pequenos, mas estes acabam por descobrir que os seus pais não são perfeitos. De repente, aquelas pessoas que deveriam cuidar deles deixam de ser dignas de confiança.</p>
<p align="justify">A Queda assume também a forma de desilusão política, religiosa ou pessoal. Os Inocentes tornam-se Órfãos quando pensam que Deus está morto ou os abandonou, que o governo nem sempre é bom, que as leis nem sempre são justas, e que os tribunais não os protegem. Os homens tradicionalistas podem experimentar uma profunda desilusão ao descobrir que as mulheres têm desejos sexuais e ambições profissionais próprias.</p>
<p align="justify">As mulheres podem ficar igualmente desapontadas ao descobrir que os homens, para além de as não protegerem, promovem a opressão feminina e beneficiam dela. A desilusão surge quando percebemos que nem sempre – ou talvez nunca – o mundo é como nos ensinaram que deveria ser. Para alguns, talvez demasiados, a desilusão acontece ao descobrirem que a vida real não é como a vida retratada pela televisão.</p>
<p align="justify">O Órfão é um idealista desiludido, e quanto maiores os seus ideais acerca do mundo, pior lhe parece a realidade. O mundo é perigoso: vilões e ciladas estão por toda parte. As pessoas sentem-se como donzelas em perigo, obrigadas a enfrentar um ambiente hostil, sem poder nem capacidade adequados para lidar com ele. O mundo assemelha-se a um lugar onde as pessoas ou são vítimas ou são carrascos. Até mesmo o comportamento do vilão pode ser justificado pelo Órfão como um comportamento realista, já que se deve “fazer aos outros, antes que eles o façam a nós”. A emoção dominante nessa visão do mundo é o medo, e a sua motivação básica é a sobrevivência.</p>
<p align="justify">Esse estádio é tão doloroso que, frequentemente, as pessoas recorrem a válvulas de escape, servindo-se de “narcóticos” diversos: drogas, álcool, trabalho, consumismo, comportamentos sexuais aviltantes. Ou então podem utilizar os relacionamentos, o trabalho e/ou a religião, como forma de amortecer a dor e obter uma falsa sensação de segurança.</p>
<p align="justify">Ironicamente, esses vícios têm o efeito colateral de aumentar a nossa sensação de impotência, a nossa negatividade e, até mesmo, no caso das drogas e do álcool, favorecer a desconfiança e a paranóia.</p>
<p align="justify">Essas válvulas de escape são defendidas por aqueles que a elas recorrem como as únicas estratégias razoáveis para se suportar a condição humana: “Claro que bebo/Claro que tomo alguns comprimidos. A vida é dura. De que outra maneira conseguiria aguentar?” Estas pessoas não consideram que seja muito realista esperar mais da vida. Podem também queixar-se de que o trabalho é enfadonho. “Detesto o meu trabalho, mas tenho de alimentar as crianças. É assim a vida.”</p>
<p align="justify">Nos relacionamentos amorosos, uma mulher parte simplesmente do princípio de que os homens “não são correctos” e pode continuar numa relação onde é emocional, ou até mesmo fisicamente maltratada, porque “Ele é melhor do que a maioria dos homens.” Um homem pode reclamar que a esposa o enerva, mas encolhe os ombros e diz: “As mulheres são assim mesmo.”</p>
<p align="justify">A história dos Órfãos fala de impotência, de anseio pelo estado primordial de inocência, no qual todas as necessidades são satisfeitas por uma figura materna ou paterna amorosa. A história dos Órfãos fala da busca de pessoas que cuidem deles, da renúncia à autonomia e à independência, a fim de assegurar esse cuidado. Certas pessoas procuram um Grande Pai; alguns homens procuram a “fada do lar”, as mulheres que lhes oferecerão um santuário, protegendo-os deste mundo cruel; muitos procuram o grande líder político, o movimento, a causa, ou o negócio de um milhão de dólares que será a solução de tudo. A história do Órfão fala também da tentativa de ser o pai amoroso – para os amantes, os filhos, os clientes ou o eleitorado – tudo para provar que essa segurança pode existir, ou que efectivamente existe. Depois da Queda sobrevêm a longa e, às vezes, lenta escalada de volta, a aprendizagem da auto- confiança e da esperança. A tarefa última do Órfão consiste em adquirir autoconfiança.</p>
<p align="justify">Na origem de tudo isto encontra-se o medo que o Órfão sente da impotência e do abandono, medo esse tão profundo e inconsciente que não costuma ser experimentado directamente. A sua emoção mais visível é a raiva, quer esta esteja voltada para dentro, na convicção de que a Queda é, de alguma maneira, culpa nossa, quer esta esteja voltada para fora: para Deus, para o universo, para os pais, para as instituições.</p>
<p align="justify">Os Órfãos transmitem a mensagem: “Eu não sei cuidar de mim.” Durante a nossa juventude, em situações novas e desconhecidas e nas áreas da nossa personalidade menos desenvolvidas, somos todos Órfãos e, por conseguinte, dependentes dos outros. No desenvolvimento humano normal e saudável, a fase do Órfão é branda. A desilusão com os pais, com as instituições e com a autoridade motiva-nos a deixar a dependência e a empreender as nossas próprias jornadas em busca de novas respostas. O que pode ser simples no final da adolescência – matricular-se na faculdade, sair de casa e arranjar um emprego– pode, mais tarde, assumir a forma mais difícil de uma mudança de emprego, do fim de uma relação, ou da desilusão com determinado partido político, grupo religioso ou filosofia de vida, o que nos obrigará a buscar novas respostas.</p>
<p>Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-ajuda/">A Ajuda</a></p>
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		<item>
		<title>Do Inocente ao Órfão</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/do-inocente-ao-orfao/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Inocente]]></category>
		<category><![CDATA[o Órfão]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
&#38;
Carol Pearson
Awakening the Heroes Within
New York, Harper Collins, 1991
Excertos adaptados
Do Inocente ao Órfão
O Inocente vive no mundo anterior à queda, num paraíso verdejante onde a vida é bela e todas as necessidades são satisfeitas numa atmosfera de desvelo e amor. O equivalente mais próximo dessa experiência ocorre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=84&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
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<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
&amp;<br />
Carol Pearson<br />
<em>Awakening the Heroes Within</em><br />
New York, Harper Collins, 1991<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p align="center"><strong>Do Inocente ao Órfão</strong></p>
<p align="justify">O Inocente vive no mundo anterior à queda, num paraíso verdejante onde a vida é bela e todas as necessidades são satisfeitas numa atmosfera de desvelo e amor. O equivalente mais próximo dessa experiência ocorre no começo da infância – para aqueles que tiveram infâncias felizes.</p>
<p align="justify">As crianças que são amadas e protegidas acreditam que o mundo é um lugar seguro, e que podem contar com os outros para lhes proporcionar o apoio físico, psicológico e emocional de que necessitam para crescer e amadurecer. Embora uma infância feliz tenha como consequência uma visão optimista e confiante da vida, a sua ausência não implica necessariamente que a pessoa não possa desenvolver os atributos do Inocente. Mesmo se muitas pessoas que tiveram infâncias horríveis permanecem disfuncionais para toda a vida, outras tornam-se adultos realizados.</p>
<p align="justify">A promessa de um retorno ao estado paradisíaco mítico é uma das motivações mais poderosas da vida humana. O Inocente dentro de cada adulto sabe que existe um jardim seguro algures, embora possa não se lembrar de o ter experimentado pessoalmente. Quer o Inocente seja um arquétipo activo ou adormecido dentro de nós, o facto é que retém uma recordação primordial que lhe diz que a vida pode ser melhor do que é naquele momento.</p>
<p align="justify">Muitas vezes fazemos tentativas frenéticas para permanecer sãos e salvos dentro do Paraíso. Esquecemo-nos do facto de que podemos voltar, e de que de facto voltamos, à segurança, ao amor e à abundância, mas apenas como resultado das nossas caminhadas. O Inocente é, assim, o início e o fim da jornada, dado que queremos empreender a viagem precisamente para poder revisitar, encontrar ou criar um mundo melhor do que aquele que conhecemos e que sabemos ser possível (re)encontrar. Quando formos Inocentes sábios, e tivermos percorrido as diversas etapas do caminho, poderemos escolher criar um mundo pacífico e igualitário onde todos os seres possam ser honrados.</p>
<p align="justify">A maioria das pessoas quer saltar as etapas das suas jornadas e colher imediatamente a recompensa. Contudo, o Paraíso não pressupõe a satisfação de caprichos narcisistas. É, antes de mais, um estado de graça que requer profundo reconhecimento e reverência para consigo e para com os outros.</p>
<p>Segue: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-queda/">A Queda</a> </p>
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		<title>A Ajuda</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
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		<category><![CDATA[o Órfão]]></category>
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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
&#38;
Carol Pearson
Awakening the Heroes Within
New York, Harper Collins, 1991
Excertos adaptados
Anterior: A Queda
A Ajuda
Se o problema do Órfão é o desespero, a chave para a resolução do seu problema reside na esperança. Não adianta dizer aos Órfãos que devem crescer e assumir a responsabilidade das suas vidas, se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=82&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
&amp;<br />
Carol Pearson<br />
<em>Awakening the Heroes Within</em><br />
New York, Harper Collins, 1991<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/a-queda/">A Queda</a></p>
<p align="center"><strong>A Ajuda</strong></p>
<p align="justify">Se o problema do Órfão é o desespero, a chave para a resolução do seu problema reside na esperança. Não adianta dizer aos Órfãos que devem crescer e assumir a responsabilidade das suas vidas, se não se acham capazes disso! Precisam de ter alguma esperança de que cuidarão deles. As histórias que a cultura construiu a partir do arquétipo do Órfão são do tipo “de-pobre- a-rico” e histórias de amor muito convencionais. O sub-tema desses enredos mostra que o sofrimento redime e que trará de volta o progenitor ausente. Nos romances de Charles Dickens, por exemplo, um Órfão sofre as agruras da pobreza e dos maus-tratos até se descobrir que é herdeiro de uma imensa fortuna. No final da história, reúne-se ao pai, que cuidará dele para sempre.</p>
<p align="justify">A auto-censura não é uma resposta adequada aos problemas dos Órfãos. Além de inviabilizar a autoconfiança, pode também incentivar a projecção livre. Para não se sentirem tão maus, os Órfãos costumam projectar a culpa nas pessoas mais próximas (amantes, companheiros, amigos, pais, patrões ou professores), em Deus ou na cultura como um todo. Como resultado, a sensação de que habitam um mundo perigoso aumenta. Ademais, na medida em que culpam as pessoas que os cercam por todo o sofrimento das suas vidas, os Órfãos afastam os outros, tornando as suas próprias vidas mais isoladas.</p>
<p align="justify">Neste estádio, a confiança temporária em algo de exterior a si mesmo – um poder superior, o terapeuta, o analista, o grupo, o movimento, a igreja – pode contribuir para ajudar as pessoas. A menos que tenham o infortúnio de se apegar a alguém que queira usar a sua dependência, essas pessoas serão encorajadas a responsabilizar-se gradualmente pelas suas próprias vidas. Não precisam de fazer tudo sozinhas, nem tão-pouco devem aguardar passivamente a salvação, ou apenas receber ordens. Podem ser capazes de se responsabilizar pelas suas vidas e também de obter a ajuda adequada – de especialistas, de amigos, de Deus. Podem abrir-se ao amor e a graça.</p>
<p align="justify">É fundamental, tanto nos grupos mais privilegiados como nos mais oprimidos, ouvir a dor do outro, sem fazer o jogo de tentar saber quem é o mais oprimido. Observamos a mesma coisa em famílias ou casais que discutem sobre quem sofre mais. Parte-se do princípio de que quem sofreu menos deve satisfazer as exigências daquele que sofreu mais. O sofrimento é estimulado, porque traz consigo o poder.</p>
<p align="justify">A questão consiste não em deixar as pessoas presas ao sofrimento, mas em as libertar, para que aprendam a ter alegria, eficácia, produtividade, abundância e liberdade. Precisam de ouvir as suas próprias histórias, bem como as histórias dos outros, e reconhecer qual é a sua dor, para que possam abrir a porta do crescimento e da mudança, e não se tornem uma ameaça para o outro. Um grande passo para os Órfãos consiste em abandonar a preocupação consigo mesmos e aprender a ajudar os outros.</p>
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		<title>O Nómada</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-nomada/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:13:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[o Nómada]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
Excertos adaptados
O Nómada
O arquétipo do Nómada é exemplificado pelas histórias de cavaleiros, de cowboys e de exploradores, que partem sozinhos para conhecer o mundo. Durante as suas viagens, encontram um tesouro, que representa simbolicamente o dom do seu verdadeiro ser. Iniciar conscientemente a própria jornada, e enfrentar o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=81&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p align="center"><strong>O Nómada</strong></p>
<p align="justify">O arquétipo do Nómada é exemplificado pelas histórias de cavaleiros, de <em>cowboys</em> e de exploradores, que partem sozinhos para conhecer o mundo. Durante as suas viagens, encontram um tesouro, que representa simbolicamente o dom do seu verdadeiro ser. Iniciar conscientemente a própria jornada, e enfrentar o desconhecido, marca o começo de um novo nível de existência. O Nómada faz uma declaração radical: a vida não é fundamentalmente sofrimento; a vida é uma aventura.</p>
<p align="justify">Quer a jornada dos Nómadas seja apenas interior, quer seja exterior, os Nómadas dão sempre um salto no desconhecido, deixando para trás as velhas regras sociais, às quais obedeceram com o fito de agradar aos outros e de garantir a sua segurança. Procuram agora descobrir quem são e o que querem. Muitas vezes, tomamos conhecimento dos Nómadas porque estes exteriorizam as suas jornadas, quer viajando literalmente, quer experimentando novos comportamentos. No entanto, existem também os heróis cuja conduta exterior parece bastante convencional, embora as suas explorações do mundo interior e a sua independência mental na exploração dos seus relacionamentos com o universo sejam profundas.</p>
<p align="justify">A identidade dos Nómadas provém da sua condição de forasteiros. Na sua vida espiritual, experimentam com frequência a dúvida. Isto porque lhes ensinaram que Deus recompensa um certo conformismo e moralidade tradicionais – qualidades provavelmente divergentes das necessidades das suas psiques experimentadoras e em desenvolvimento. No entanto, a noite escura da alma que experimentam leva-os frequentemente a uma fé mais amadurecida e adequada.</p>
<p><strong>O Cativeiro</strong></p>
<p align="justify">Nos contos de fadas, o Nómada pode estar encerrado numa torre ou caverna, e costuma ser prisioneiro de uma bruxa, de um ogre tirano, de um dragão ou de alguma outra fera temível. Regra geral, o captor simboliza o conformismo e a falsa identidade impostos pelos papéis culturais predominantes.</p>
<p align="justify">Na medida em que tememos as grandes mudanças, tanto nas outras pessoas como em nós mesmos, podemos desencorajar estes heróis em embrião, dissuadindo-os de empreender as suas jornadas. Queremos que permaneçam como são. Podemos ter medo de perder os nossos amantes, cônjuges, amigos e até mesmo pais, se eles parecem estar a mudar demais. Talvez nos sintamos particularmente ameaçados, se alguém que vivia para nos satisfazer ou servir se recusar de súbito a fazê-lo!</p>
<p align="justify">A pressão que nos leva a ajustarmo-nos, a cumprirmos os deveres, a fazermos o que os outros querem que façamos, é tão forte nos homens como nas mulheres. No entanto, é mais intensa nas mulheres, porquanto o papel destas tem sido mais definido em termos de deveres e de provimento às necessidades básicas dos outros. De um modo geral, as mulheres evitam iniciar as suas jornadas porque temem magoar os seus maridos, os pais, as mães, os filhos ou os amigos. Todavia, as mulheres magoam as outras pessoas diariamente quando não iniciam as suas próprias jornadas. Por exemplo, uma das piores coisas que uma mulher pode fazer à alma de um homem é permitir que ele a oprima. Quando uma mulher ama um homem, deve reverenciar a alma deste o suficiente para saber que, não obstante o que o rapaz assustado dentro dele queira, a essência mais profunda do ser dele – a parte saudável do homem – quer o bem para si mesmo e para os outros.</p>
<p align="justify">Da mesma maneira, muitos homens aprisionados no seu papel de protectores não ousam empreender as suas jornadas devido ao seu sentido de responsabilidade, não só em relação aos filhos como em relação às esposas, que lhes parecem frágeis e incapazes de cuidarem de si mesmas. Se um homem ama a sua companheira, deve fortalecer o lado dela que pode ser independente, competente, aventureiro. Todas as vezes que detém a sua própria jornada por causa das aparentes incapacidade e dependência da mulher, na realidade reforça tais atitudes, contribuindo assim para a incapacitar. O ser mais forte e sábio da mulher quer crescer e quer que o homem cresça também.</p>
<p><a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-cativeiro/"><strong>Continuação</strong></a></p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Cativeiro</title>
		<link>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-cativeiro/</link>
		<comments>http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-cativeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Nov 2007 15:11:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>s0nh0s</dc:creator>
				<category><![CDATA[arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>

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		<description><![CDATA[Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper &#38; Row, 1989
Excertos adaptados
Anterior: O Nómada/O Cativeiro
O Cativeiro (cont.)
Quando começam a ver o mundo e se começam a ver a si mesmos com os seus próprios olhos, os Nómadas têm medo de que a punição por essa atitude seja o isolamento perpétuo ou, no sentido mais extremo, a morte [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sonharsimbolos.wordpress.com&blog=1652099&post=80&subd=sonharsimbolos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Carol Pearson<br />
<em>The Hero Within</em><br />
San Francisco, Harper &amp; Row, 1989<br />
<em>Excertos adaptados</em></p>
<p>Anterior: <a href="http://sonharsimbolos.wordpress.com/2007/11/02/o-nomada/">O Nómada/O Cativeiro</a></p>
<p align="center"><strong>O Cativeiro</strong> (cont.)</p>
<p align="justify">Quando começam a ver o mundo e se começam a ver a si mesmos com os seus próprios olhos, os Nómadas têm medo de que a punição por essa atitude seja o isolamento perpétuo ou, no sentido mais extremo, a morte solitária e a pobreza. Não obstante esse medo – que se prende com o terror infantil de não se conseguir sobreviver se não se agradar aos outros (aos pais, aos professores, aos chefes, aos companheiros) – os Nómadas tomam a decisão de abandonar o universo conhecido em prol do desconhecido.</p>
<p align="justify">São várias as formas de estarmos sozinhos. Uma delas consiste em viver sozinho, viajar sozinho, passar o tempo sozinho. Poucas são as pessoas que adoptam essa forma por muito tempo. Existem outras maneiras de estarmos sozinhos, algumas delas com a desvantagem de mascararem a nossa solidão, mesmo para nós mesmos. Uma forma de estarmos sozinhos consiste em não prestarmos atenção ao que sentimos e queremos e em darmos aos outros aquilo que pensamos que eles querem. Consiste em sermos o que nós pensamos que eles querem que sejamos. Outra forma é tratarmos as pessoas como objectos para gratificação dos nossos próprios desejos.</p>
<p align="justify">Uma outra maneira de estarmos sozinhos é representarmos sempre um papel: a mulher ou o homem perfeitos, a mãe ou o pai perfeitos, o patrão ou o empregado perfeitos. Continuar a viver com a nossa família, mesmo quando não nos damos bem com ela; manter um péssimo casamento; ter companheiros de quarto com os quais temos poucas coisas em comum. Uma mulher pode convencer-se de que todos os homens são chauvinistas e um homem convencer-se de que todas as mulheres são prostitutas ardilosas. Se queremos realmente ficar sozinhos, podemos convencer-nos de que todos nos querem magoar ou que todos desejam algo de nós.</p>
<p align="justify">Devo acrescentar que, na verdade, todas essas estratégias demonstram que temos imaginação suficiente para assegurar a realização das nossas jornadas. O próprio vazio e vulnerabilidade resultantes dessas abordagens erradas da vida motivam muitos de nós a empreender as suas jornadas e a descobrir ou a criar uma personalidade nova. Muitas pessoas conseguem sentir-se alienadas e ser solitárias durante toda a vida, sem jamais crescer ou mudar, mas outras utilizam essas ocasiões para serem “heróis secretos”, acalentando novas ideias e imaginando novas alternativas, enquanto que à superfície continuam a levar a vida enfadonha de sempre.</p>
<p align="justify">Uma mulher que conheço relembrava um casamento de onze anos, extremamente convencional e superficial, que tinha funcionado como um porto seguro, um casulo no qual ela se ocultara enquanto se preparava para voar. Durante o casamento, porém, não se tinha apercebido disso. Na verdade, foi o vazio do seu papel tradicional e a solidão desse relacionamento conjugal que a levou a empreender a busca. Para muitas pessoas, a vontade de cortar com a alienação do cativeiro constitui o estádio inicial do Nómada, seguido da escolha consciente de empreender a jornada.</p>
<p align="justify">Quando chega a hora de iniciar a jornada, o Nómada sentir-se-á sozinho, seja ou não casado, tenha ou não filhos e amigos, tenha ou não um trabalho prestigiante. Não há como evitar essa experiência. Todas as tentativas nesse sentido apenas reprimem a consciência do nosso estado, de forma que demoramos mais na aprendizagem das lições e, assim, permanecemos mais tempo solitários. Embora certas pessoas iniciem a sua busca com um elevado sentido de aventura, muitas passam por ela como algo que lhes é imposto, seja pelo sentimento de alienação ou claustrofobia que experimentam, seja pela morte de um ente querido, ou por terem sido alvo de abandono ou de traição.</p>
<p align="justify">Nos antigos mitos heróicos, o jovem herói é motivado a prosseguir a sua jornada solitária porque o reino se tornou uma terra estéril. Nessas histórias, o velho rei é visto como a causa dessa desolação; talvez seja impotente ou tenha cometido um crime. Noutras histórias, o rei é um tirano. O aspirante a herói parte rumo ao desconhecido, enfrenta o dragão, encontra um tesouro (o Graal, um peixe sagrado) e retorna, trazendo consigo o elemento necessário para proporcionar vida nova ao reino. É então sagrado rei.</p>
<p align="justify">A convicção de que temos de comprometer partes cruciais de nosso ser, a fim de nos ajustarmos ao mundo à nossa volta, põe em evidência tanto a nossa necessidade de amor como a nossa necessidade, igualmente forte, de explorar quem somos. A tensão entre esses impulsos, extremamente fortes e aparentemente conflituosos, leva-nos, em primeiro lugar, a abandonar partes importantes de nossa personalidade, a fim de nos ajustarmos e, dessa forma, a aprendermos o quanto o amor e o sentir-se ajustado significam para nós. Em último lugar, essa mesma tensão leva-nos a optar radicalmente por nós mesmos e pelas nossas jornadas, como coisas ainda mais importantes do que os cuidados a ter com os outros, ou do que a nossa própria sobrevivência.</p>
<p align="justify">Como a nossa cultura glorifica excessivamente a jornada solitária e árdua do herói clássico, e como a cultura precisa muito de pessoas capazes de colaborar, tem havido um grande desencanto com o ideal heróico do Nómada. O problema do Nómada, assim como o do Mártir, não é o arquétipo em si, mas sim a confusão acerca do significado do arquétipo para cada um de nós. Assim como o martírio é destrutivo quando o sofrimento se justifica por si mesmo, a solidão pode ser uma fuga à comunidade, destrutiva também se se quiser afirmar como um valor em si mesma. Por exemplo, se a maturidade for equiparada à independência, e se esta for definida como o facto de não ter necessidade dos outros, tal situação pode interromper o crescimento normal de um indivíduo.</p>
<p align="justify">Contudo, optarmos absolutamente por nós mesmos e pela nossa integridade, mesmo que isto signifique solidão e ausência de amor, constitui um pré-requisito do heroísmo e, em última análise, da capacidade de amar outras pessoas, permanecendo, ao mesmo tempo, autónomo. Isso é fundamental para a criação de limites adequados, para que possamos perceber a diferença que existe entre nós e o outro</p>
<p align="justify">Assim, o Nómada arquetípico parte da dependência para a independência, para uma autonomia definida no contexto da interdependência. Muitos daqueles que aprenderam a acolher a independência, e até mesmo a solidão, descobrem mais tarde que sentem falta das relações humanas. Entretanto, tornaram-se capazes de experimentar a intimidade a um novo nível, porque desenvolveram uma consciência suficientemente forte do seu próprio ser e não temem ser engolidos pelo outro. Para sua surpresa, costumam descobrir, quando estão prontos, que existem pessoas e comunidades que irão amá-los exactamente pelo que eles são.</p>
<p align="justify">Quando solucionamos o conflito entre amor e autonomia, optando por nós mesmos, sem negarmos o desejo de relacionamento, esse conflito, que antes nos parecia insolúvel, resolve-se. Nessa nova maneira de ver o mundo, a recompensa por sermos “inteiros” e totalmente nós mesmos é o amor, o respeito e a comunhão.</p>
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