O velho sábio
Outubro 26, 2007 at 10:59 am | In arquétipos, pastor, peregrino, sacerdote, sonhos, símbolos, velho, velho sábio | Leave a CommentTags: pastor, peregrino, sacerdote, velho, velho sábio
Georges Romey
Excertos adaptados
O velho sábio
De que regiões profundas do ser surge esta personagem? De que camadas misteriosas da consciência colectiva? Não há um lugar onde se possa situá-lo. Ele está presente na eternidade e só se manifesta em ocasiões excepcionais.
O Velho Sábio! O mais estranho, o mais determinante dos arquétipos! O velho é o arquétipo da sabedoria ligada à consciência universal. Para o leitor que não conheça a figura do velho solitário, convém desenhar-lhe a imagem-tipo.
Trata-se, geralmente, de um homem muito idoso, de barba ou cabelos brancos, que parece viver uma vida totalmente autónoma, longe das coisas deste mundo. Os seus atributos mais frequentes são, por ordem, a barba comprida, a vela, o Livro do Destino, o cajado e os carneiros ou cabras.
Tal enumeração deixa adivinhar que o velho tem, muitas vezes, a aparência de um sacerdote, de um pastor ou de um peregrino. Mas a lista de personificações que ele pode escolher é longa. Entre elas, notar-se-ão sobretudo o eremita, o monge, o pescador, o artesão, o druida, o chefe índio, o patriarca.
O velho sábio é sempre facilmente identificável porque se rodeia de características bem particulares. A mais relevante é esta estranha atitude que autoriza e interdita ao mesmo tempo, comunica e recusa dizer, manifesta uma benevolência tranquilizadora e uma reserva que parece ameaçar…
Por isto mesmo, o velho assinala a sua missão que é sempre a de cumprir uma acção mediadora. Cada um dos seus gestos, a sua aparência, o momento em que intervém na cura, colocam um par de valores relativos à luz de uma verdade total.
Os contrários antagónicos, à luz da sua vela, fundem-se numa unidade criadora, projectados repentinamente para além do bem e do mal tal como os apreende a razão humana. O papel do velho, arquétipo da sabedoria e do destino submetido à dimensão cósmica do sentido da vida, poderia preencher muitos volumes.
A sua aparição tem lugar no momento em que a atitude da pessoa face à imprevisibilidade do destino sofre uma transformação radical. A angústia nascida da confrontação com o mistério do devir tinha provocado uma reacção de vontade de domínio intelectual do destino. O esforço exacerbado para conjurar o carácter imprevisível do destino por uma previsão impossível absorve uma parte insustentável da energia vital.
Através da imagem do velho sábio, o paciente realiza a experiência da infinita relatividade. A relação com o destino não é mais uma procura de domínio, geradora de angústia, mas uma aceitação do significado desconhecido da vida, condição da harmonia essencial. O velho sábio convida o sonhador a colocar-se em comunhão com o mistério, atitude da qual depende a dissolução da angústia existencial
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