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O golfinho

Georges Romey
Excertos adaptados

O golfinho

Basta evocar este animal para que o nosso espírito se sinta mais leve já que o seu simbolismo lembra a prece cristã: Diz somente uma palavra e serei salvo! Após tantos sonhos em que o golfinho leva o sonhador até à luz, podemos estar cientes de que ele tem sempre uma função salvadora. Invariavelmente, tanto nos sonhos como nos mitos, o golfinho tem sempre o papel de guia e de salvador.

Cristo Salvador apresenta-se, por vezes, sob o aspecto de um golfinho. E desde a mais remota Antiguidade que o nosso peixe/mamífero desempenha sempre o papel de guia – basta pensarmos como os golfinhos se mantêm durante horas intermináveis à proa dos navios no mar alto, dando a impressão de que estão a abrir caminho.

Raros são os símbolos em que as associações de imagens se apresentam tão constantes e com um sentido tão evidente. Mas enquanto que a raposa, por exemplo, também desempenha a função de animal psicopompo (que serve de guia) – conduzindo as almas até às regiões da morte – a função do golfinho, embora seja também a de condutor, exerce-se em sentido oposto: o golfinho traz o sonhador do limiar do outro mundo até à luz, até à vida.

O papel de guia, de condutor, é atestado por uma associação íntima com os símbolos mais clássicos da dinâmica da “passagem”. Lembremos que o muro (que se ergue como um obstáculo ao progresso do sonhador) e que o espelho (que se interpõe de igual modo) e até mesmo a expressão da transparência que se apresenta sob a forma de um vidro, ou de uma janela, são indícios indiscutíveis do restabelecimento de uma conexão entre o consciente e o inconsciente.

O golfinho mostra muitas vezes que podemos ver o que desejamos e não exclusivamente o que pensamos que temos que impor a nós mesmos; reabilita, pois, o que é natural e incita à confiança nos impulsos instintivos. Aquele ou aquela que é guiado(a) pelo golfinho deve convencer-se da relação benéfica e positiva com o seu lado instintivo.

Os símbolos ligados ao universo do mar apresentam-se, naturalmente, em volta do golfinho: o mar, as algas, a praia e também a gruta marinha. É, aliás, muitas vezes nesta gruta que o sonhador, guiado pelo animal, vai encontrar as imagens da transparência: muros repletos de espelhos, o espelho de Alice, mesa e porta de vidro, etc…

Ora, a gruta marinha, tal como a gruta subterrânea, é uma representação do útero. E assim a gruta é como que o lugar de um renascimento psicológico. Como Jung lembrava, o termo grego que significa golfinho – delphis – está muito próximo da palavra delphus que significa útero.

Dois pares de valores opostos encontram-se constantemente presentes nos cenários em que nada o golfinho. Por um lado, o mergulho na profundidade que alterna com os saltos no ar e, por outro lado, a evocação das sensações alternadas de frio e calor.

Com efeito, o golfinho do sonho abrange um vasto campo de representações que permitem relacionar os mundos terreno e espiritual. Traduz ao mesmo tempo a angústia original do ser que é lançado no mundo e a interrogação metafísica de uma psicologia perturbada pelo insondável mistério da vida e da morte.

Mas o golfinho é, entre todos os símbolos que traduzem esta extrema dificuldade imposta ao espírito humano, aquele que pode ser considerado como o agente mais seguro do restabelecimento da dinâmica vital.

 
 
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