A fonte
2007 às 7:45 pm | Na categoria fonte, símbolos | Deixe o seu comentárioJean Chevalier; Alain Gheerbrant
Dicionário dos Símbolos
Lisboa, Ed. Teorema, 1994
Excertos adaptados
A fonte
O simbolismo da fonte de água viva é expresso principalmente pela nascente que jorra no meio de um jardim, junto da Árvore da Vida, no centro do Paraíso terrestre. Esta é a fonte da vida, ou da imortalidade ou, ainda, a fonte do ensinamento. A fonte simboliza, pelas suas águas sempre novas, o rejuvenescimento perpétuo.
O culto das fontes e nascentes manteve-se muito vivo em todos os países celtas actuais, principalmente na Bretanha, onde geralmente se lhes atribuem virtudes curativas para as mais diversas doenças. Funcionam também como símbolo da regeneração e da purificação.
A sacralização das fontes é universal, pois constituem a boca da água viva ou da água virgem. É através delas que se dá a primeira manifestação da materia cósmica fundamental, sem a qual não poderiam ser garantidas a fecundação e o crescimento das espécies. A água viva que elas deitam é como a chuva, o sangue divino, o sémen do céu. São um símbolo da maternidade.
Sabe-se que, nas culturas tradicionais, a fonte simboliza a origem da vida. Pode mesmo dizer-se que simboliza toda a origem: do génio, da força, da graça, de toda a felicidade.
Segundo as tradições órficas, às portas dos Infernos encontram-se duas fontes: a fonte do esquecimento, que leva ao sono da morte, e a fonte da memória, que confere a vida eterna. É nesta que devemos matar a sede, se quisermos aceder ao reino dos heróis.
Jung traduz este mesmo simbolismo da fonte arquetípica, ao considerá-la uma imagem da alma, origem da vida interior e da energia espiritual.
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