A cor dourada
2007 às 8:02 pm | Na categoria dourado, rosa, símbolos, sonhos | 1 ComentárioGeorges Romey
Excertos adaptados
A cor dourada
O ouro carrega, como matéria, uma ambivalência pesada, que o torna ora um símbolo de intuição superior ora um símbolo da avidez de poder. Não esqueçamos que pode também ser ocasionalmente conectado com a disposição narcísica.
Quando percorre os cenários que falam dos dourados, o pesquisador é levado a interrogar-se se dourado não poderá ser traduzido por emoldurado*. Há muitas frases construídas em torno de termos como aparência, fachada, decorado, que legitimam uma tal interrogação. No entanto, outros sonhos e outras passagens desses mesmos sonhos dão-nos a entender que é através do dourado que se alcança o coração do ser.
Há imagens que associam o Centro e o interior ao dourado, na atmosfera de fervor que caracteriza a conexão com o centro do Si Mesmo [o nó mais íntimo da Consciência]. O dourado imaginário adquire então um sentido que se afasta da ideia de ornamento. Liga-se ao sagrado, ou seja, ao que é inacessível ao profano.
A cor dourada protege e dá, simultaneamente, acesso ao coração do ser. Se o dourado tem quotidianamente uma conotação de artificialismo, no imaginário liga-se à sua dimensão original, na qual se confunde com a Fonte, com uma Totalidade que escapa ao aprisionamento da razão.
A rosa de ouro dos alquimistas, símbolo do fermento da Obra, e que C.G. Jung propõe como símbolo do Si Mesmo, seria fruto da união da rosa, configuração da totalidade da psique, com a cor dourada, símbolo do acesso ao coração do ser.
Alguns exemplos ilustrarão estes temas através de imagens e de comentários convincentes. Anne começa o seu sonho com as seguintes palavras:
Vejo uma casa, uma casa velha dentro de um parque… diante dela há uma bela rosa vermelha…a casa é antiga, feita de pedra, uma pedra dourada! É cor de ouro velho… a rosa é muito grande mas a casa ultrapassa-a em tamanho… protege-a… esta casa tem uma forma muito acolhedora… é uma imagem… como dizer? Ideal! Mas não é.
Sei que dentro da casa há um quarto onde se pratica o budismo… e que no centro desse quarto há uma luz muito forte…há um pergaminho que irradia uma luz que parece um sol. É um pouco como o centro da terra, quente e misterioso, que na superfície parece uma crosta morta e insensível! No interior é o oposto…tenho de regular a troca entre a efervescência do núcleo e a frieza da crosta!…
* No original, o autor joga com as palavras or e décor. (N.T.)
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