O rei
2007 às 11:30 am | Na categoria armadura, castelo, coroa, espada, guerreiro, rainha, rei, símbolos, sonhos, trono | Deixe o seu comentárioTags: armadura, castelo, coroa, espada, guerreiro, rainha, rei, trono
Georges Romey
Excertos adaptados
O rei
Rei, pela graça de Deus. Legitimado por transmissão hereditária, dita de direito divino, o poder temporal absoluto recebe daquela a aura dos valores sagrados. Na dinâmica onírica, a imagem real pode, por vezes, provar a aspiração à realização perfeita e é, na maioria das vezes, sinal de uma autoridade incontestável.
O duplo aspecto, temporal e sagrado, não se impõe apenas com evidência através da cadeia de associações primárias observadas no sonho, mas constitui a estrutura sobre a qual se formou a simbólica do rei.
As correlações mais visíveis compõem à volta do rei sonhado a imagem ingénua de uma cavalaria medieval. O trono, a coroa, o castelo, o guerreiro, a espada, a armadura, são as pesadas insígnias desta primeira figura de um rei anónimo, misturada com outros clichés que compõem uma visão sumária da Idade Média.
Logo que o imaginário sente a necessidade de fazer apelo a este ou aqueloutro soberano, trata-se, quase sempre (para o exemplo francês), ou de Luís XIV, o rei-Sol, ou de Luís XVI, o rei decapitado.
Estas duas imagens pontuam o itinerário brutal que vai da noção de poder incontestável à noção de poder contestado.
N.T. Assim como a Rainha (e a Princesa) dos contos e das produções oníricas parecem apontar para figurações superlativas daquilo que Jung designou por “anima” (a componente feminina da psique humana), também o Rei (e o Príncipe) sugere(m) constelações simbólicas tendentes a reflectir o “animus”, ou seja, a componente masculina da psique. Tais figuras arquetípicas parecem pois associar-se aos valores da razão, da força de vontade, a todas as componentes da virilidade (coragem, valentia, lucidez, capacidade de discernimento, poder de decisão, etc). Compreender-se-á então que o ser total (o andrógino) congregue em si valores do “animus” e valores da “anima”.
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