Do Inocente ao Órfão

Novembro 2, 2007 at 3:22 pm | In arquétipos, o Inocente, o Órfão, símbolos | 2 Comments

Carol Pearson
The Hero Within
San Francisco, Harper & Row, 1989
&
Carol Pearson
Awakening the Heroes Within
New York, Harper Collins, 1991
Excertos adaptados

Do Inocente ao Órfão

O Inocente vive no mundo anterior à queda, num paraíso verdejante onde a vida é bela e todas as necessidades são satisfeitas numa atmosfera de desvelo e amor. O equivalente mais próximo dessa experiência ocorre no começo da infância – para aqueles que tiveram infâncias felizes.

As crianças que são amadas e protegidas acreditam que o mundo é um lugar seguro, e que podem contar com os outros para lhes proporcionar o apoio físico, psicológico e emocional de que necessitam para crescer e amadurecer. Embora uma infância feliz tenha como consequência uma visão optimista e confiante da vida, a sua ausência não implica necessariamente que a pessoa não possa desenvolver os atributos do Inocente. Mesmo se muitas pessoas que tiveram infâncias horríveis permanecem disfuncionais para toda a vida, outras tornam-se adultos realizados.

A promessa de um retorno ao estado paradisíaco mítico é uma das motivações mais poderosas da vida humana. O Inocente dentro de cada adulto sabe que existe um jardim seguro algures, embora possa não se lembrar de o ter experimentado pessoalmente. Quer o Inocente seja um arquétipo activo ou adormecido dentro de nós, o facto é que retém uma recordação primordial que lhe diz que a vida pode ser melhor do que é naquele momento.

Muitas vezes fazemos tentativas frenéticas para permanecer sãos e salvos dentro do Paraíso. Esquecemo-nos do facto de que podemos voltar, e de que de facto voltamos, à segurança, ao amor e à abundância, mas apenas como resultado das nossas caminhadas. O Inocente é, assim, o início e o fim da jornada, dado que queremos empreender a viagem precisamente para poder revisitar, encontrar ou criar um mundo melhor do que aquele que conhecemos e que sabemos ser possível (re)encontrar. Quando formos Inocentes sábios, e tivermos percorrido as diversas etapas do caminho, poderemos escolher criar um mundo pacífico e igualitário onde todos os seres possam ser honrados.

A maioria das pessoas quer saltar as etapas das suas jornadas e colher imediatamente a recompensa. Contudo, o Paraíso não pressupõe a satisfação de caprichos narcisistas. É, antes de mais, um estado de graça que requer profundo reconhecimento e reverência para consigo e para com os outros.

Segue: A Queda 

2 Comentários »

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  1. Como sou uma principiante nesta caminhada de arquétipos, inconsciente colectivo, etc., estava à procura e encontrei estes artigos e estou a gostar. Obrigada pela informação
    Florencia

  2. Muito bom mesmo! Estava passeando pela web e nessa minha “jornada nômade” por esse mar multifacetado de superficialidades, acabei por aportar aqui, maravilhosa ilha repleta de conteúdo psicológico denso, coeso e claro.

    Parabéns pelo blog.

    Letícia


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