O que é um símbolo?
2007 às 9:08 pm | Na categoria símbolos, sonhos | 1 ComentárioTags: inconsciente
Pierre Real
Dos Sonhos aos Símbolos – Interpretação dos Sonhos
Lisboa, Ed. Marabu-Notícias, 1967
Excertos adaptados
Dos sonhos aos símbolos
1 – O que é um símbolo?
É um sinal ou uma imagem, representando um objecto, um ser vivo ou uma situação.
Eis alguns exemplos: um lírio é muitas vezes um símbolo de pureza; uma rosa simbolizará a beleza, a mulher, etc.; a cruz é o símbolo do sofrimento e da ressurreição.
Determinados símbolos encontram-se fortemente carregados de emoções (isto verifica se bastante nos sonhos). Tanto para vocês como para mim, é totalmente indiferente que uma garra simbolize um leão! Mas se alguém que detestamos se esquece em nossa casa de uma luva, o ressentimento que sentimos contra essa pessoa recairá sobre aquele objecto. A luva torna-se assim um símbolo carregado de emoções: atiramo-la ao chão ou rasgamo-la… e podemos mesmo chegar a insultar a pessoa, ao olhar para a referida peça de vestuário.
Acontece o mesmo nos sonhos. Torna-se, portanto, necessário, para os interpretar, conhecer a linguagem simbólica que é, aliás, imensa. Uma vida inteira não chegará para a estudar a fundo.
Por que motivo os sonhos se desenrolam sob a forma simbólica?
É um facto que um verdadeiro sonho emprega, quase sempre, meios retirados do simbolismo. Uma vez que o sonho é uma expressão da vida psíquica mais profunda, é fácil de compreender que deve utilizar um meio igualmente profundo. Qual é? As ideias lógicas? O pensamento racional? Não, pois isso seriam meios conscientes, que se opõem ao procedimento inconsciente do sonho.
O nosso inconsciente constitui a nossa vida mais íntima. Contém todo o nosso atavismo, as hereditariedades, as recordações, os recalcamentos e os complexos… O nosso inconsciente oculta-se nas profundidades mais recônditas do nosso ser.
Do mesmo modo, um grande símbolo estende as suas ramificações até aos cantos mais escondidos da nossa personalidade. Os símbolos conduzem o nosso espírito para fora do tempo, em direcção a horizontes infinitos de cuja existência a nossa razão nem sequer suspeita.
Um exemplo: pensemos na palavra PÃO.
Que diz a nossa razão? Que o pão é o resultado do trabalho que o padeiro efectua com a farinha. Nada mais.
Mas…o que diz a nossa emoção profunda? Que o pão representa bem mais coisas…
Desde sempre que a palavra pão surge ornada de poesia e de simbolismo. O pão é simultaneamente banal e sagrado; evoca outros símbolos importantes, como a terra, o sulco da charrua, o trigo, a chuva, a fertilização dos campos, etc.
Intervém na oração: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Fala-se do “pão dos anjos”. Para os cristãos, o corpo de Cristo torna-se numa hóstia de pão; etc. Foi assim que o pão se transformou nesse belo símbolo de riqueza humana, de simplicidade e de fraternidade… Haverá, porventura, acção mais comovente (em profundidade) do que «compartilhar o pão»? E, no entanto, racionalmente, compartilhar do mesmo pão é a mesma coisa que dividir por dois um pau de chocolate.
Se pensarmos em compartilhar um pedaço de chocolate com alguém, tal acto deixa-nos completamente indiferentes, ao passo que a ideia de compartilhar o pão já representa uma emoção de outra ordem. É por esta razão que o pão surge tão frequentemente nos sonhos, simbolizando toda uma riqueza positiva e benéfica, com múltiplos significados.
Tomemos outro exemplo: a CRUZ. Racionalmente, o que é uma cruz? Nada mais do que dois pedaços de madeira cruzados. E emotivamente? Pensem em toda a vida sublime, em todas as esperanças, nas promessas de salvação eterna, nas orações que gravitam em redor desses bocados de madeira, que representam o mais poderoso símbolo da cristandade… mesmo entre os não-crentes.
Ainda um outro exemplo: se vemos com emoção um navio partir, é porque, sem o sabermos, sofremos a acção do seu simbolismo. Racionalmente, é apenas um barco que se afasta, mas, simbolicamente, é a aventura, a separação, a mudança de vida, a procura da felicidade, a viagem rumo a novos horizontes ou a busca de um paraíso perdido…
Se certos sonhos ecoam tão profundamente em nós, é natural que o meio empregado esteja em proporção. Existe nos símbolos uma riqueza emotiva inacreditável. Os grandes símbolos conservam-se intactos através dos milénios e das civilizações. Reviver, em sonhos, um dos grandes símbolos do mundo equivale a mergulhar na nossa mais universal humanidade.
1 Comentário »
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olá adorei o site, tinha que fazer um deveres de artes valendo 10 e achei a resposta aqui.
obrigada
Comentário por anonimo— 2011 #