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A importância dos sonhos – Carl G. Jung

19 Set

Carl G. Jung (org.)
O Homem e os seus Símbolos
Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1987

Excertos adaptados

Ensaio sobre o inconsciente I

A importância dos sonhos

Aquilo a que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais para além do seu significado evidente e convencional. Implica algo de vago, desconhecido ou oculto para nós.

Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto mais amplo, que nunca é definido de uma única forma ou explicado totalmente, nem podemos ter esperanças de a definir ou explicar. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida em direcção a ideias que estão fora do alcance da nossa razão.

Por existirem inúmeras coisas fora do alcance da compreensão humana é que utilizamos frequentemente termos simbólicos como representação de conceitos que não podemos definir ou compreender integralmente. Esta é uma das razões por que todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens. Mas este uso consciente que fazemos dos símbolos é apenas um aspecto de um facto psicológico de grande importância: o homem também produz símbolos, inconsciente e espontaneamente, em forma de sonhos.

Há ainda certos acontecimentos de que não tomamos consciência. Permanecem, por assim dizer, abaixo do limiar da consciência. Aconteceram, mas foram absorvidos subliminarmente, sem o nosso conhecimento consciente. Só podemos percebê-los em algum momento de intuição ou por um processo de intensa reflexão que nos levem à subsequente compreensão de que devem ter acontecido. E, apesar de termos ignorado originalmente a sua importância emocional e vital, mais tarde brotam do inconsciente como uma espécie de segundo pensamento.

Este segundo pensamento pode aparecer, por exemplo, sob a forma de um sonho. O aspecto inconsciente de um acontecimento é-nos revelado, geralmente, através de sonhos, onde se manifesta, não como um pensamento racional, mas como uma imagem simbólica. Do ponto de vista histórico, foi o estudo dos sonhos que permitiu, inicialmente, aos psicólogos, a investigação do aspecto inconsciente de ocorrências psíquicas conscientes.

Fundamentados nestas observações é que os psicólogos admitem a existência de uma psique inconsciente, apesar de muitos cientistas e filósofos lhe negarem existência. Argumentam ingenuamente que uma tal pressuposição implica a existência de dois “sujeitos” ou, em linguagem comum, de duas personalidades dentro do mesmo indivíduo. E estão inteiramente certos: é exactamente isto o que ela implica. Esta divisão de personalidades é, com efeito, uma das maldições do homem moderno. Não é, de forma alguma, um sintoma patológico: é um facto normal, que pode ser observado em qualquer época e em quaisquer lugares. O neurótico cuja mão direita não sabe o que faz a sua mão esquerda não é caso único. Esta situação é um sintoma de inconsciência geral, que é, inegavelmente, herança comum de toda a humanidade.

Aquele que nega a existência do inconsciente está, de facto, a admitir que, hoje em dia, temos um conhecimento total da psique. É uma suposição evidentemente tão falsa quanto a pretensão de que sabemos tudo a respeito do universo físico. A nossa psique faz parte da natureza e o seu enigma é, igualmente, sem limites. Assim, não podemos definir a psique nem a natureza. Podemos, simplesmente, constatar o que acreditamos que elas sejam e descrever, da melhor maneira possível, como funcionam. No entanto, fora das observações acumuladas em pesquisas médicas, temos argumentos lógicos de bastante peso para rejeitarmos afirmações como “não existe inconsciente”, etc. Aqueles que fazem este tipo de declaração estão a expressar um velho misoneísmo – o medo do que é novo e desconhecido.

Sigmund Freud foi o pioneiro, o primeiro cientista a tentar explorar empiricamente o segundo plano inconsciente da consciência. Trabalhou baseado na hipótese de que os sonhos não são produto do acaso, mas que estão associados a pensamentos e problemas conscientes. Esta hipótese nada apresentava de arbitrário.

Segue: Ensaio sobre o inconsciente II – A função dos sonhos

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6 Comentários

Publicado por em 2007 in arquétipos, símbolos, sonhos

 

Etiquetas:

6 responses to “A importância dos sonhos – Carl G. Jung

  1. Eliana

    2008 at 3:29 pm

    Boa Tarde…
    Tive um sonho que me deixou muito intrigada… sonhei que era um golfinho… e esta condiçãofoi imposta,para pensar sobre minha condição de mulher. Tive dois maridos.. um samurai e outro materilista. E no munda das almas, encontravamos para discutir meu dever… em vida. Eu,não queria nenhum dos dois… pois ser golfinho era bom. Era livre…O samurai insistia que eu pertencia à ele, mas eu não gostava da condição: ser propriedade de alguem. Estou casada ha 27 anos, tenho 45 anos, 3 filhos adultos. Me preparando para exames da OAB. Há possibilidade receber algum comentário? O que deixou mais intrigada, foram os encontros no mundo das almas. Sou estudante da doutrina espírita, mas não praticante. Obrigada

     
  2. maria eliane lunga da silva

    2009 at 1:05 am

    tenho um sonho muito estranho sempre sonho indo para a cidade
    onde passei toda a minha infância. hoje moro em outra cidade.
    sonho indo para a cidade de minha infância, mas quando vou
    volto para a cidade em que moro, não consigo voltar.
    sonho várias vezes, indo e tentando voltar de táxi, de moto,
    de ónibus, mas no final , eu não consigo voltar.
    a minha mãe mora nesta cidade onde passei a minha infância e
    sempre que posso vou visitá-la.

    sem mais obrigada

     
  3. Cleodete Gomes

    2010 at 4:05 am

    Quase nunca consigo lembrar dos meus sonhos! Quando acordo no meio da noite, se nao anotar o sonho, esqueço.
    Porque isso acontece?

     
    • Kel

      2012 at 5:44 pm

      olha. quanto a questão do esquecimento no meio da noite caso não anote o sonho, posso responder: Caso você durma o nosso cérebro fica no chamado por Freud ”inconsciente”. O inconsciente é muito difícil ate hoje de ser explicado. Mas sabemos que ele funciona quando dormimos. Os órgãos funcionam mais devagar, a digestão, etc. É um momento de descanso do corpo. Logo o nosso cérebro também deve descansar, né? Por isso saímos do nosso estado consciente, é o chamado estado ”REM” saímos do nosso estado de vigília.
      Logo, se dormimos — inconsciente. Se acordamos— Consciente. (mas isso tudo tem uma certa transição para acontecer. E quando acordamos estamos na transição inconsciente para consciente. Por isso anotamos. Assim, naquele instante o inconsciente manda a mensagem para o consciente.
      E ainda há casos em que lembramos durante o dia de sonhos. Bem, o sonho pode estar na nossa memoria guardado e ao ver algo que sonhamos como uma fruta, ou uma pessoa, lembramos de fragmentos ou do sonho completo, mesmo estando acordados. E também o caso de estarmos relaxados pode ocorrer o ”sonhar acordado” é quando se cria uma proximidade do consciente com o inconsciente e mesmo acordados entramos num estagio calmo que nos lembra o sonho. a transição lembra?
      Beijos.

       
  4. maria silvia cotrin

    2010 at 12:35 am

    não sou uma pessoa de lembrar-me de todos os sonhos que tenho, e menos ainda com clareza, só que já tem algum tempo de que sonho estar voltando a morar em uma casa de onde mudei em setembro de 1985. em meu sonho eu volto a morar lá, a casa se encontra vazia e está do mesmo jeito de quendo de mudei de lá. não consigo entender há algum tempojá morei em mais de 20 casas na mesma cidade ou cidades diferentes. A casa com a qual sonho, fica em outra cidade, e depois de alguns anos que saí de lá ela foi vendida e reformada. Hoje moro em outra cidade, há dezesseis anos na mesma casa, nunca sonhei com ela ou qualquer outra casa que morei, sonho cada vez com mais frequencia com aquela casa, isso começou há um bom tempo, talves dois ou tres anos, so esta semana sonhei duas vezes com a casa , o unico detalhe diferenciado é que os vizinhos ñunca aparecem, embora sejam os mesmos da época, converso com eles por cima do muro como fazia, este sonho está me incomodando pois há mais de vinte anos não tenho contato com nenhum deles, aliás, praticamente desde de mudei de lá.

     
  5. Gabi

    2011 at 6:28 pm

    Tive um sonho muito estranho… Sonhei que durante uma viagem, conheci uma cozinha asiática com uma plantação de arroz ao lado. Eu escolhia para comer um prato de arroz com romã (tipo um arroz doce com romã). Depois de um tempo lá eu me formei e recebi um canudo, mas não estava muito satisfeita porque não recebi as honras. Depois eu ganhei um doce ao me despedir dos amigos.

     

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